terça-feira, 5 de julho de 2016

Dietas Low carb x diabetes


Dietas Low carb x diabetes

by Juliana Crucinsky
De um tempo pra cá a "dieta low carb" tem sido falada (e praticada) com bastante frequência e atualmente este tem sido um dos principais motivos pelos quais os pacientes me procuram, seja apenas para controlar a glicemia, para prevenir o diabetes (tipo 2) ou para perder peso.
Mas antes de começar a falar dos benefícios da dieta low carb no diabetes, é importante falarmos primeiro sobre o que seria "low carb"...
Pra inicio de conversa não há uma única dieta low carb... e esse é um dos motivos pelos quais não gosto muito de ser chamada de "Nutricionista low carb", pois low carb pode seguir uma abordagem bastante saudável como nas dietas no estilo Paleolítico (que já falei aqui, aqui e aqui), como pode ser também algo bem "trash" e prejudicial a saúde (quando se exclui frutas e hortaliças, e a alimentação fica a base de embutidos, queijos gordurosos, adoçantes artificiais e até... refrigerantes zero e gelatina diet!).
Outra questão importante é o que se considera e qual a quantidade de carboidratos ingerida...
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Imagem encontrada na internet
Partindo das recomendações habituais de carboidratos numa dieta tradicional padrão, qualquer quantidade abaixo de 50% das calorias diárias vindo dos mesmos ja pode ser consideradalow carb. Mas alguns mais radicais só consideram low carb "de verdade" quando a ingestão máxima de carboidratos/dia não passa de 20 gramas!
Eu particularmente considero 20g/dia um valor absurdamente baixo e desnecessário a grande maioria das pessoas e por vários motivos:
Como o cérebro usa preferencialmente a glicose como combustível, o próprio corpo (enquanto usa os corpos cetônicos, vindos da gordura e de alguns aminoácidos) se encarrega de gerar glicose (a partir das proteínas, sejam da alimentação, seja da massa muscular) para o cérebro e isso pode aumentar a glicemia. Além disso, para manter níveis tão baixos de carboidratos, é necessário abrir mão de muitos alimentos saudáveis, como frutas e legumes (principais fontes de compostos bioativos de ação anti-inflamatória e antioxidante; vitaminas, minerais e fibras), ao mesmo tempo em que se aumenta a ingestão de alimentos com mais proteinas e gorduras.
Não que gordura seja tão prejudicial assim (estou falando da gordura naturalmente presente nos alimentos e não há gordura hidrogenada, nem na margarina ou óleos vegetais refinados), mas muita gordura a base de embutidos e laticínios (em vez de gordura das frutas e sementes oleaginosas, por exemplo) aumenta o risco de inflamação e doenças cardiovasculares. Outro problema do excesso de proteínas, embutidos e laticínios é a grande quantidade de sódio presente nestes alimentos, que aumenta o risco de cálculos renais, perda de cálcio ósseo (aumentando o risco de osteoporose) e ainda o risco de câncer de estômago! Também é sempre bom lembrar que diabéticos estão mais propensos a problemas renais (nefropatia diabética)...
Entretanto, quando se faz uma restrição moderada de carboidratos, equilibrando carnes mais magras (e peixes, aves, etc) e ovos com frutas e hortaliças diversas (incluindo tubérculos), é possível equilibrar a glicemia, sem prejudicar o funcionamento renal, protegendo os ossos e ainda mantendo o corpo protegido da inflamação e dos radicais livres. Nesse caso, ao evitar farinhas, pães e massas já reduzimos o carboidrato de forma significativa!
E o que tudo isso tem a ver com o diabetes???
Bom, seja no DMI ou no DMII, é necessário controlar a glicemia e garantir que a insulina (exógena, tomada como medicação ou endógena, produzida pelo próprio corpo) funcione adequadamente*. Em ambas as situações, é preferível manter uma dieta moderadamente baixa em carboidratos (algo em torno de 40% das calorias diárias) de baixo índice glicêmico, bem distribuidos ao longo do dia. Assim, é possível também favorecer a perda de peso e a manutenção de um peso saudável a longo prazo, e ainda garantindo a ingestão de todos os nutrientes necessários à saúde.
Em todos os casos de diabetes, pode-se dizer que há presença inflamação, aumento da permeabilidade intestinal e endotoxemia (passagem dos LPS os dos fragmentos das bactérias intestinais - bactérias "do mal" - para o sangue) e uma dieta nos moldes da Paleo se mostra benéfica, pois diminui a inflamação, diminui a permeabilidade (ao excluir trigo, lácteos e lectinas, proteínas presentes em alguns grãos e farinhas) e ainda (por ter uma boa quantidade de fibras), melhora a microbiota intestinal.
*No DMI, a contagem de carboidratos costuma ser feita, para ajustar a dose de insulina de acordo com cada refeição. É uma boa forma de promover o controle glicêmico, porém é importante chamar a atenção que os carboidratos não são todos iguais e que mesmo que a glicemia baixe com uma dose mais alta de insulina, a formação de AGEs (compostos de glicação avançada) pode ocorrer, prejudicando a saúde, além do aumento dos níveis de colesterol, triglicerídios e esteatose hepática (acumulo de gordura no fígado). A contagem existe para permitir maior flexibilização da dieta, mas não para liberar uma "overdose" de carboidratos de alto índice glicêmico presentes em alimentos pobres em nutrientes!

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Sol / Verão - Bombardeamento publicitário de protectores solares

 2016

Sol / Verão - Bombardeamento publicitário de protectores solares


As marcas de protectores solares apostam todas as fichas nesta altura do ano, mas será que todas estas advertências para os perigos do sol fazem sentido?

Costumo dizer que um consumidor informado é um consumidor mais difícil de enganar e esta análise ao sol (feita pela industria dos protectores solares) em que ampliam uma patologia concreta (pela má exposição ao sol) ignorando e escondendo todos os benefícios para a saúde é de facto tendencioso.

Mas que benefícios são esses para a saúde? Há uma relação directa entre o aumento de exposição solar e um risco reduzido em variadíssimas patologias:

  • Osteoporose (densidade óssea; má absorção de cálcio)
  • Raquitismo
  • Cancro (próstata, mama, cólon, ovário, pâncreas,etc)
  • Psoríase
  • Síndrome pré-menstrual (já dediquei um artigo a este tema: ver aqui)
  • Esclerose Múltipla
  • Artrite Reumatoide
  • Diabetes tipo I
  • Depressão
  • Alzheimer
  • Esquizofrenia
  • Doença Renal
  • Sarcopenia
  • Sistema imunitário deficiente
O sol tem sido um parceiro vital da nossa saúde, mas foi demonizado nos últimos 40/50anos com uma forte mensagem da industria  dermatológica que basicamente nos "educa" para nunca nos expormos directamente ao sol. Ironicamente, actualmente, mais de metade da população mundial sofre de deficiência de Vitamina D.

As consequências, essas são graves, ou não fosse a vitamina D activada uma hormona que, directa ou indirectamente, se relaciona com mais de dois mil genes e que regula o crescimento de diferentes grupos de células ( e que impedem de se tornarem malignas, daí a sua ligação a tantos tipos de cancro). Uma vez que a vitamina D é produzida na pele, a partir da radiação UVB do sol (ou em pouca quantidade através da comida, ou da suplementação) o fígado cria um metabolito de vitamina D (25-vitamina D)que viaja para os rins onde se transforma em vitamina D activa (1,25 vitamina D), mas também pode ser activada numa variedade de células (incluindo as do sistema imunitário, onde modula a actividade celular e reduz o desenvolvimento de doenças auto-imunes, melhora o combate a doenças infecciosas, e as células da próstata, mama, cólon onde previne a proliferação de células malignas que caracterizam o cancro!)

Obviamente que a duração dessa exposição solar irá depender de vários factores, desde a estação do ano, ao nível de adaptação de cada um e até à cor da nossa pele. Duração essa que nunca deverá ser tão longa que lhe chegue a causar queimaduras.

Melhorar a nossa relação com o sol está assente em três grandes pilares:
  1. Exposição gradual e contínua. ( de facto não estamos adaptados para ficar fechados num escritório 8h por dia durante 11 meses do ano em que a única luz que recebemos é luz artificial do monitor de um computador. Depois de meses a fio fechados e com um tom de pele pálido vamos nos expor ao sol durante horas seguida em pleno verão numa praia do Algarve. Infelizmente é verdade, temos um modo de vida moderno num corpo ancestral, é o preço a pagar
  2. Tolerância Individual. Não é preciso nenhum teste específico. Basta olha para o tom da nossa pele quando exposta ao sol. Quando a pele começa a mudar de tonalidade é porque apanhamos o banho de sol suficiente (importante é não ficar com nenhuma queimadura)
  3. Habitat Natural. Se és ruivo de pele clara e olhos azuis mas vives nas Caraíbas os teus genes estão melhor adaptados a outras latitudes e sendo assim mais riscos corres. Não é de estranhar que indivíduos de cor escura, por exemplo em Portugal, sejam os mais afectados com baixos níveis de vitamina D.  (os nossos ancestrais eram negros, afinal todos somos provenientes de um grupo de homo sapiens de pele escura que viveu concentrada em Africa. A luz solar é tão importante para os nossos genes que à medida que nos afastamos de Africa (perto do equador) a nossa pele tornou-se mais branca)
Ainda acha que não se deve expor a um único raio de sol?

O QUE CAUSA DOENÇA CARDÍACA ? PARTE 5

O QUE CAUSA DOENÇA CARDÍACA ? PARTE 5

Artigo traduzido por Décio Gazzoni. O original está aqui.

por Malcolm Kendrick

O primeiro estágio da doença cardiovascular é avaria do endotélio, a camada única de células que reveste as artérias. Após isso, é preciso ver o que acontece. Antes de olhar para o assunto com mais cuidado, gostaria de levá-lo de volta no tempo cerca de 160 anos. Foi quando os primeiros debates científicos sobre o desenvolvimento de placas estavam ocorrendo.

Rudolf Virchow e Karl von Rokitansky foram os proponentes de diferentes hipóteses naquele momento. Agradeço ao Professor Paul Rosch por fornecer informações sobre as ideias de Virchow. Ele forneceu essa descrição em um de seus boletins.

 Rudolph Virchow foi o primeiro a demonstrar a presença de colesterol em ateromas em 1856. Ele descreveu a aterosclerose como “endarterite deformans”. O sufixo “ite” enfatiza que resulta de um processo inflamatório que fere o revestimento interno das artérias, e que os depósitos de colesterol começam a aparecer mais tarde.
 Virchow foi bastante específico a respeito quando ele escreveu: “Não é possível deixar de considerar o processo como tendo surgido de uma irritação dos componentes, estimulando-nos para novas ações formativas; até agora, portanto, ele se encaixa em nossas ideias de inflamação, ou pelo menos dos processos que são praticamente aliados a inflamação.”
 É possível distinguir um estágio de irritação que precede a metamorfose gordurosa, comparável ao estágio de inchaço, turbidez e alargamento que se observa em outros pontos de inflamação. Portanto, não hesito em tomar partido do antigo ponto de vista sobre esta questão, e em admitir que uma inflamação do revestimento interno arterial é o ponto de partida da chamada degeneração ateromatosa e os depósitos de colesterol vieram mais tarde.

Então, mesmo há 160 anos atrás, eminentes professores reconheciam que placas ateroscleróticas começavam com a ‘inflamação do revestimento interno arterial’, ou seja, o endotélio. Os depósitos de colesterol vêm depois. Bem depois. Posto de outra forma, o colesterol não é a causa da placa, o aparecimento de colesterol em uma placa é parte do segundo estágio de desenvolvimento de placas.

Entretanto, ao mesmo tempo que concordava com esta observação, Karl von Rokitansky acreditava em uma hipótese extra.

 Rokitansky propôs que os depósitos observados na camada interna da parede arterial eram derivados principalmente de fibrina e outros elementos do sangue ao invés de serem o resultado de um processo purulento. Subsequentemente, o ateroma resultava de uma degeneração da fibrina e de outras proteínas do sangue, e finalmente estes depósitos se tornavam uma polpa contendo cristais de colesterol e glóbulos gordurosos.


Posto de outra forma, ele acreditava que placas eram, na verdade, coágulos sanguíneos em diferentes estágios de reparo. Ele acreditava nisso porque as placas pareciam exatamente com coágulos sanguíneos, e continham tudo o que é encontrado em coágulos sanguíneos. Especialmente uma grande quantidade de fibrina, que é o componente principal de todos os coágulos sanguíneos. No entanto, Virchow discordou desta ideia por um motivo simples. ‘Como pode um coágulo sanguíneo se formar dentro da parede arterial?’ Ou seja, como pode um coágulo sanguíneo se formar sob o endotélio. Um argumento interessante, e Rokitansky não tinha uma boa resposta. Então ele perdeu a discussão.

Porém, existe uma explicação muito simples para como exatamente um coágulo sanguíneo pode ser encontrado sob o endotélio: porque o endotélio não estava lá quando o coágulo se formou. Ele cresceu em cima do coágulo posteriormente, o que nos leva para Células Progenitoras Endoteliais (CPEs).

Depois da minha última postagem, um leitor fez o seguinte comentário.

 E então... o coágulo, agora preso sob o novo endotélio, se torna placa? Se for verdade, parece ser um processo de cicatrização estupidamente “projetado” :-).

Superficialmente, é um bom argumento. Simplesmente incorporar coágulos na parede arterial, onde uma placa é formada que posteriormente é fatal, não parece ser uma boa ideia. Porém, peço que considere o que aconteceria com um coágulo sanguíneo, que encontra-se dentro da parede arterial, que simplesmente se soltasse e pegasse carona na corrente sanguínea. O que aconteceria?

A resposta é simples: ele entupiria a artéria conforme ela se estreitasse. Isso poderia causar um derrame, ataque cardíaco ou algo do gênero. Exatamente como ocorre com a fibrilação atrial, em que pequenos coágulos que se soltam dos átrios se deslocam até o cérebro e se prendem. O corpo não gosta de coágulos sanguíneos andando soltos pelo sistema arterial.

Então isto não acontece/é impedido de acontecer. Quando o endotélio é avariado, um coágulo se forma sobre este ponto. É verdade que uma certa quantidade/uma boa parte deste coágulo irá ser raspado em pedaços pequenos (não grandes o suficiente para criar um derrame), mas um ‘núcleo’ permanecerá. Isto precisa ser eliminado de alguma forma.

Como fazer isso? Só existe uma maneira possível. Primeiramente, cobri-lo com outra camada de endotélio, e depois atacá-lo, decompô-lo e destruí-lo. E isso é exatamente e precisamente o que o corpo faz.

Depois que um coágulo sanguíneo estabiliza, Células Progenitoras Endoteliais (CPEs), que são produzidas na medula óssea e andam soltas pela corrente sanguínea, são atraídas para o coágulo. Elas grudam nele, e então crescem até se tornarem células endoteliais completamente maduras, formando uma nova camada de endotélio, efetivamente puxando o coágulo para dentro da parede arterial. Então o coágulo é atacado e eliminado. Como?

Um fato crítico a ser mencionado aqui é que CPEs nem sempre se tornam células endoteliais, elas também podem seguir um outro caminho de desenvolvimento. Elas podem se tornar monócitos, que por sua vez se tornam macrófagos. Macrófagos são as células de ‘limpeza’ do sistema imunológico. Elas atacam material estranho e então o engolem. Após isso, elas retornam à corrente sanguínea ou se deslocam diretamente para o sistema linfático, e são então transportadas para glândulas linfáticas, onde elas são desmanteladas e todo o ‘material estranho’ é descartado.

O corpo é extremamente esperto, não é? Após o dano ao endotélio, e a formação de um coágulo, as CPEs não apenas cobrem a área danificada, mas elas também se tornam as próprias células que limpam o coágulo/placa e o eliminam. Então, este não é um processo de cicatrização estupidamente projetado de forma alguma. É absolutamente brilhante. Na verdade, provavelmente está acontecendo dentro das suas artérias neste exato momento.

Os problemas começam a acontecer quando o processo de dano endotelial ocorre rápido demais se comparado à capacidade de limpeza do sistema de cicatrização. Danos endoteliais repetitivos e formação de coágulos no mesmo ponto, repetidamente. Neste momento, ao invés de ter cicatrização de coágulos/placas, acaba ocorrendo crescimento e desenvolvimento de coágulos/placas. Ou como Rokitansky escreveu de forma tão eloquente:

 Subsequentemente, o ateroma resultava de uma degeneração da fibrina e de outras proteínas do sangue, e finalmente estes depósitos se tornavam uma polpa contendo cristais de colesterol e glóbulos gordurosos.
A seguir: formação de coágulos e problemas associados.

Erros históricos - o escorbuto e a alimentação

Erros históricos - o escorbuto e a alimentação


A pele do Narval (habitante ao redor do polo norte) é importante fonte de vitamina C.
Fornece tanto quanto o mesmo peso em laranjas

O texto a seguir foi escrito em 1935, e foi publicado na mais antiga publicação mensal americanaHarper's Magazine. Pertence a uma série de publicações de Vilhjalmur Stefansson: "Adventures in Diet". Vilhjalmur foi um antropólogo e explorador canadense, escritor de vários livros e centenas de artigos. O extrato abaixo diz respeito a suas percepções sobre a questão da vitamina C e o escorbuto e suas enérgicas considerações sobre os equívocos da orientação médica, que no seu ponto de vista foi incapaz de perceber que certas experiências práticas, realizadas por exploradores em ação poderiam ter provado que a questão do suco limão não era a melhor solução contra o escorbuto. A provocação ao conhecimento de sua época nos mostra que a prática médica nem sempre se atualiza o suficiente para salvar vidas, se conhecimentos anteriores (centenários) pareciam não merecer serem questionados. 


NUTRIÇÃO COMO TERAPÊUTICA
O EQUÍVOCO DO ESCORBUTO: 
DAS CONVICÇÕES MÉDICAS AO DESAFIO DE EXPLORADORES 

O Escorbuto tem sido o grande inimigo de exploradores. Quando Magalhães navegou ao redor do mundo quatrocentos anos atrás, muitos de sua tripulação morreram por causa dele e a maioria dos outros ficavam às vezes tão enfraquecido que mal conseguia lidar com os navios. Quando o grupo de quatro de Scott foi para o Polo Sul vinte e três anos atrás, sua força foi solapada pelo escorbuto; eles 
Escorbuto e viagens marítimas
não foram capazes de manter a sua agenda de viagens e morreram. O escorbuto, não tem sido o inimigo apenas de exploradores. Vinte anos atrás, o exército britânico no Oriente Médio foi seriamente afetado, e em outubro passado um médico americano relatou que uma centena de soldados etíopes morriam por dia de escorbuto. A doença impôs estragos durante a corrida do ouro do Alasca e Yukon a partir de 1896. Dezenas de mineiros morreram e centenas sofreram.
Profissionais médicos e leigos igualmente tem acreditado por mais de cem anos que eles sabiam exatamente como prevenir e curar a doença, mas o método sempre falhou sob testes severos.
A premissa de que os médicos partem é de que os vegetais, especialmente frutas, previnem e curam o escorbuto. Considerando que a dieta consiste de animais e plantas, emerge um entendimento que veio a tomar um formato de que o escorbuto é causado pela carne e curado por legumes. Finalmente os médicos padronizaram que o suco de limão é o melhor dos preventivos e curadores. Eles o nomearam como cura certeira, algo específico. Os legisladores seguiram os médicos. Está nos livros de leis de muitos países que, em longas viagens, as equipes devem ser abastecidas com suco de limão e persuadidas ou obrigadas a tomá-lo.
Obtidos a partir de oficiais da Real Polícia Montada do Canadá, e de garimpeiros, tenho em meus diários e notas muitos casos de sofrimento e morte causados ​​pelo escorbuto no Alasca e Yukon na corrida do ouro. O mineiro geralmente começa a adoecer no final do inverno. Ele estava vivendo com feijões e bacon, com biscoitos, arroz, aveia, açúcar, frutos secos e legumes secos. Quando ele reconhece seu problema como escorbuto ele empreende esforços possíveis para conseguir as coisas que ele acreditava que iria curá-lo. Aparentemente, os mineiros tiveram a fé mais forte nas batatas cruas. Estas tinham que ser trazidos de longe, e há contos heroicos de homens que lutaram através do deserto para socorrer um companheiro com alguns quilos delas. Havia crenças semelhantes nas virtudes de cebolas e alguns outros vegetais. Curiosamente, não havia qualquer questão sobre aonde aqueles legumes foram obtidos, tampouco havia uma questão de como eles deveriam ser tratados, da forma que, agora entendemos, vai a destruir o seu valor. Por exemplo, um homem pode ter sido curado ou, pelo menos, auxiliado com uma salada de folhas ou até casca de árvores. O que os mineiros faziam era beber o chá de agulhas de pinheiro (“pine needle tea”: pode ter 3 x mais vitamina C que o suco de laranja) e do salgueiro (“willow bark tea” é rico em salicilatos para alivio da dor). Se eles tinham carne fresca a ferveriam em pedaços e bebiam o caldo. A morte frequentemente ocorreria em dois a quatro meses após o início reconhecida da doença (sem tratamento adequado).
Ignorando a dizimação dos exércitos, e o fardo desta doença em muitas esferas da vida civil através das eras passadas, voltamo-nos para os exploradores, a classe mais amplamente divulgada por estar sofrendo e morrendo de escorbuto.
É incomum comparar James Cook (um explorador, navegador e cartógrafo inglês tendo depois alçado a patente de O capitão na Marinha Real Britânica), de cento e cinquenta anos atrás, com os exploradores mais importantes de todos os tempos. Parte de sua fama pode ser atribuída ao fato de ter descoberto a forma de prevenir e curar o escorbuto. Livros de medicina vão nomeá-lo como pioneiro no campo, dizendo que nós devemos a ele a conquista de uma terrível doença. Por ele ter demonstrado que com vegetais (de novo especialmente as frutas) o escorbuto poderia ser evitado nas viagens mais longas. Por declaração ou inferência daqueles livros passou-se a afirmar, que deste desenvolvido conhecimento fez-se com que extraíssemos e envasemos o suco do limão, colocando-o nos navios, para prevenir e curar o escorbuto.
Como ficou mostrado anteriormente, no entanto, os bons médicos, com a sua fé no suco de limão, como forma específica (contra o escorbuto), desconsideraram a sua constante falha sob testes mais severos.
Tamanha grandeza guardada dessa fé ficou demonstrado pela expedição polar britânica do Sir George Nares. Quando ele voltou para a Inglaterra em 1876, após um ano e meio, ele relatou muitos casos de escorbuto, algumas mortes, e uma falha parcial de seu programa como desfecho. Em sua opinião a carne fresca poderia ter salvo seus homens. Mas os médicos, como veremos ao considerar como eles mais tarde aconselhariam Scott, logo esqueceram toda a impressão descrita por Nares. Eles parecem estarem assustados com as velhas doutrinas com uma série de pressupostos: que o suco de limão da expedição de Nares poderia ter sido deficiente no teor de ácido; que algumas das vítimas não usou o tanto quanto necessário; e que talvez fosse demais esperar que até mesmo o suco maravilhoso fosse lidar com todas as coisas que tendiam a trazer o escorbuto - ausência de luz solar, má ventilação, falta de diversão e exercício, limpeza insuficiente etc.
Particularmente porque a corte do inquérito médico de Nares tinha se fixado em uma nota sobre limpeza e "saneamento moderno", você poderia pensar que o mundo médico pode ter sentido um grave choque quando leram como Nansen e Johansen tinham passado o inverno nas Ilhas Franz Josef, (agora Nansen Land) em 1895-1896. Eles tinham vivido em uma cabana de pedras e couro de morsa. A ventilação era ruim, para economizar combustível; com fumaça do fogo, de modo que o ar foi adicionalmente ruim; não havia um raio de luz do dia durante meses; durante esse tempo eles praticamente ficaram em estado de hibernação, raramente indo ao ar livre na maior parte do tempo e tendo tão pouco exercício quanto parece ser humanamente possível. No entanto, sua saúde era perfeita durante todo o inverno e quando saíram de sua hibernação estavam em tão boa condição física, como qualquer homem que jamais tivesse feito qualquer tipo de invernada no Ártico. Sua comida tinha sido carne magra e gordura de morsa.
Dezenas, se não centenas de milhares de cientistas em medicina e os ramos relacionados devem ter visto este relato, porque os livros de Nansen foram bestsellers em praticamente todas as línguas e os jornais estavam cheios de história. No entanto, o efeito foi insignificante. Os médicos e nutricionistas ainda continuaram a sublinhar sobre a carne produzindo o escorbuto e nos contributivos maus efeitos que eles definiam em conjunto a insuficiência de ventilação, limpeza, luz solar e exercício. Eles ainda prescreviam suco de limão e colocavam toda a sua dependência sobre isso e outros produtos vegetais.
Lemons x lime
Desculpas para o suco de limão têm persistido até aos nossos dias. Foi, por exemplo, demonstrado como triunfo, recentemente, que o significado de "lime" tinha mudado durante os últimos cem anos, explicando a alegação de que funcionou melhor no século XVIII que no século XIX -, em seguida, o suco foi feita a partir de limões chamados “limes”; agora ele é feito de “limes” chamados limas. (Lemon X Limes? Os primeiros são amarelos e tem 53 mg/g vitamina c, os segundos são verdes e tem 29mg/g de vitamina C (LINK)).

O valor anti escorbútico de limões (lemons) pode ser muito maior do que a do limão (lime) por peso, mas isso não vão à raiz da questão. Como prova disto considerar como a experiência de Nansen foi re-aplicada e interpretada pelas quatro expedições durante duas décadas, duas delas comandada por Robert Falcon Scott, uma por Ernest Henry Shackleton, e uma por mim.

*

Scott, em 1900, procurou o conselho científico mais ortodoxo quando equipava sua primeira expedição. Ele seguiu o conselho através do carregamento de suco de limão e por adicionar quantidades de frutas e produtos vegetais quando ele passou Nova Zelândia em seu caminho para a Antártida. Ele percebia isso como uma dieta "saudável", e que os homens fizessem exercício, que eles se banhassem e tivesse muito ar fresco. No entanto, o escorbuto irrompeu e nesse interim o famoso Shackleton (Esnest, explorador polar) foi acometido por ele em uma viagem. Eles estavam puxando seus próprios trenós na época, então eles devem ter tido bastante exercício. Havia muita luz, com o sol batendo sobre eles, e havia abundância de ar fresco. Para os crentes nas palavras de ordem e slogans de seu tempo, e para os crentes nas virtudes de suco de limão, o início do escorbuto era um mistério desconcertante.
Ernest Henry Shackleton,
Foi o escorbuto de Shackleton que mais interferiu com o sucesso da primeira expedição de Scott ser particularmente infeliz, se você imaginar dos ciúmes que despertou, das inimizades que causou. Escorbuto, como a doença de viajar, é realmente uma das mais limpas e menos desagradáveis; mas em Inglês o nome é um termo de humilhação - "um companheiro escorbuto", "um truque escorbuto". Shackleton pode ter se atormentado tanto sob essa palavra-associada, como fez sob a acusação de que a fraqueza dele tinha sido a principal desvantagem de Scott. A paixão para limpar seu nome, em todos os sentidos, levou à organização de uma expedição, que muitos na Grã-Bretanha consideraram antiética - um subordinado, com uma pressa indecente e insistência, juntando pessoas instigadas a eclipsar seu comandante.
O elemento crucial na primeira expedição de Shackleton, para os estudantes do escorbuto, é o fato de que Shackelton foi uma reminiscência elisabetana no tempo de Edward VII. Ele era um Hawkins ou um Drake, um bucaneiro em espírito e método. Ele falou mais alto e mais do que é boa forma na Inglaterra moderna. Ele aproximou-se perto de se gabar com arrogância. Ele causou atritos, excitação e se espalhou ciúmes, e ganhou a admiração fôlego de jovens que teriam seguido Dampier e Frobisher com igual entusiasmo em suas piratarias e nas suas explorações.
A organização, e o resto da primeira expedição de Shackleton, foi num embalo. Eles foram tão descuidados quanto Scott tinha sido cuidadoso; eles não tiveram qualquer tipo de apoio científico ou financeiro como Scott. Eles chegaram a Helter Skelter às margens do Continente Antártico, acamparam, e descobriram que eles não teriam comida suficiente para o inverno, nem tinham tomado tal cuidado meticuloso como Scott para garantirem-se com frutas ou outros anti-escorbúticos na Nova Zelândia. Comparado com Scott, sua rotina era descuidada quanto à limpeza, exercício, e várias das prescrições higiênicas comuns.
O que significa é que os homens de Scott, com quantidades ilimitadas de compotas, marmeladas, cereais e frutas, grãos, molhos, carnes e vasos, tinham sido pouco inclinados para adicionar focas e pinguins à sua dieta. Com Shackleton não era nem a sabedoria ou a aceitação de bons conselhos, mas extrema necessidade que levou a tal emprego de pinguins e focas, o que fez com que o Dr. Alister Forbes Mackay, médico de Edimburgo, que era um membro dessa expedição de Shackleton e médico depois do meu navio do Karluk, me dissesse que ele estimou que a metade da comida durante a sua estadia na Antártida era carne fresca.
Apesar da falta de cuidado, (na verdade, como vemos agora, por causa da sua falta), Shackleton tinha uma saúde melhor média do que Scott. Nunca houve um sinal de escorbuto; cada homem manteve sua força total; e eles conseguiram tanta energia que a maioria das autoridades ainda consideram a maior conquista física já feito nas regiões polares do sul. Com os homens arrastando o trenó por uma parte considerável do caminho, eles chegaram à latitude 88 ° 23’’ S., praticamente o ápice do Polo Sul.
Scott começou sua segunda aventura como já anteriormente tinha começado a primeira, perguntando a profissionais médicos da Grã-Bretanha como ter proteção para o escorbuto e recebendo deles mais uma vez o bom e velho conselho sobre o suco de limão, frutas, e o de resto habitual. No trimestre do inverno, ele novamente tinha colocado confiança no aconselhamento e sob a supervisão médica constante, em uma dieta planejada e cuidadosamente variada, em inúmeros testes científicos para determinar a condição dos homens, com exercício, ar fresco, saneamento em todas as suas formas padrão. Os homens viviam sob os alimentos do Reino Unido, suplementados por frutos e produtos de hortas da Nova Zelândia. Estando eles com tanta fartura, a que eles já estavam acostumados, comiam pouco do que eles nunca tinham aprendido a gostar, como pinguins e focas.
Mais uma vez eles começaram a sua viagem de trenó após um inverno de cuidados de saúde. Os resultados anteriormente seriam decepcionantes; agora eles foram trágicos. Enquanto o escorbuto não os impediu de chegar ao Polo Sul, ele começou a enfraquecê-los no retorno e progrediu tão rapidamente que a crescente fraqueza os impediu, mesmo que apenas por dez milhas, de serem capazes de voltar para o terminal de depósito de provisões.
Aqueles que têm ignorado o escorbuto, por vezes, alegam que, se Scott tivesse atingido esse depósito, ele teria sido capaz de chegar ao acampamento base, finalmente. Isto torna-se mais do que duvidoso quando você percebe que a diminuição progressiva do vigor, tanto mental como corporal, não ia ser ajudado mesmo por maiores refeições, se essas refeições eram comida com falta de valor antiescorbútico.
A história de Scott e seus companheiros, especialmente pelas suas últimas semanas, está entre as mais audaciosas em qualquer idioma; por isso eles se tornaram heróis nacionais e heróis mundiais. Mas no discurso de seus compatriotas (embora não em muitas outras línguas europeias), escorbuto soa impuro. Parecia necessário que os companheiros sobreviventes de Scott, e para aqueles na Grã-Bretanha que sabiam a verdade, tomassem cuidado para que a palavra tabu não fosse manchar um feito glorioso.
Para suprimir a associação de uma doença com a beleza e o heroísmo da morte de Scott que poderia ter valido a pena no momento; mas que dificilmente pode ser deplorado por qualquer um - e deveria ser elogiado pelos cientistas - foi que o comandante Edward G R Evans, agora almirante, o segundo-em-comando de Scott, depois de um tempo emitiu as informações sobre escorbuto, incluindo a afirmação de que ele próprio tinha estado doente.
É irracional, pelo menos agora que as emoções se acalmaram, culpar Scott. De ninguém foi a culpa, pois todos eles agiram de acordo com a luz do seu tempo. Se de alguém foi a culpa foi principalmente daqueles que deram o aconselhamento médico para a expedição antes de sair para navegação; secundariamente, era do médico-chefe, em vez do comandante, da expedição.
Parece estranho, agora, que uma comparação entre as experiências Scott x Shackleton não esclareçam totalmente os médicos sobre a verdadeira intimidade do escorbuto; mas é claro que parte da explicação é que a informação médica de Scott foi suprimida. Portanto, acabou recaindo à minha própria expedição demonstrar, na medida em as expedições polares estão sob preocupação, e para os experimentos de Russell Sage chamar a atenção da profissão médica, a forma mais prática e mais simples de curar o escorbuto. Não importa quão bom seja o suco de limão (ou lima-limão), ele é difícil de transportar, ele se deteriora, e você pode perdê-lo, como por um naufrágio. A coisa a fazer é encontrar você antiescorbúticos onde você esteja, buscá-los onde você rumar.
Na minha terceira expedição aconteceu como circunstancialmente relacionado em um livro chamado "The Friendly Artic", que três homens ficaram com escorbuto ainda que desobedecendo as instruções do comandante e viveram sem o seu conhecimento por dois ou três meses, principalmente com alimentos europeus quando eles deveriam estar vivendo principalmente com carne.
Parece levar de um a três meses para que mesmo uma dieta ruim produza um quadro reconhecível de escorbuto, mas tem um desenvolvimento rápido dentro das próximas semanas. No caso dos meus homens foram cerca de três semanas (como depois eles consideraram) depois de percebido o problema e cerca de dez dias depois que eles se queixaram para mim, quando um deles estava tão fraco que tive que carregá-lo em um pequeno trenó, enquanto o outro mal era capaz de prosseguir lentamente, segurando-se atrás. A esta altura todas as articulações doíam, suas gengivas estavam tão amolecidas como o queijo "American", os dentes tão soltos que eles caíram mesmo sob mais suave pressão.
Estávamos a 60 ou 80 milhas de terra na deriva do gelo do mar quando o problema iniciou, e apressamo-nos em terra para alcançar um campo de estável para os inválidos. Teria sido nada divertido, com homens doentes em suas mãos, se o local de seu acampamento começou a se desintegrar sob pressão e caindo sobre si.
Chegamos a uma ilha (cerca de 900 milhas ao norte do Círculo Polar Ártico) da costa do que era conhecido, embora seu interior nunca havia sido explorado. Nós viajamos algumas milhas da costa, estabelecemos um acampamento, caçado caribu (havia dois de nós bem, dos quatro) e começou a cura da carne. O combustível era bastante escasso, portanto, cozinhávamos apenas uma refeição por dia; além disso, achei que o alimento cru poderia funcionar melhor. Nós fervíamos o desjejum com bastante água. Os pacientes terminavam com a carne cozida enquanto estava quente e mantinham o caldo para beber durante o resto do dia. Para as outras refeições comiam carne crua ligeiramente congelada, com digestão normal e bom apetite. Dividimos o caribu no estilo esquimó, de modo que os cães ficavam com órgãos e vísceras, pernas, ombros e lombo, enquanto os inválidos, e nós caçadores tínhamos as cabeças, peito, costelas, traseiro e a medula dos ossos.
Nesta dieta toda a dor desapareceu de todas as articulações dentro de quatro dias e a escuridão foi substituída por otimismo. Dentro de uma semana, os dois homens disseram que eles não tinham percepção de estarem doentes, enquanto eles ainda estavam na cama. Em duas semanas, eles foram capazes de começar a viagem, primeiramente sobre os trenós e andando alternadamente. No final de um mês eles se sentiram como se nunca tinha estado doentes. Nenhum sinal de escorbuto permanecia, exceto pelas gengivas, que tinham retraído pela perda dos dentes, e apenas parcialmente recuperaram a sua situação.
Ao comparar as notas posteriormente com o Dr. Alfred Hess, a principal autoridade de Nova Iorque sobre o escorbuto, descobri que quando eu estava recebendo esses resultados com uma dieta a partir do qual todos os elementos vegetais estavam ausentes, ele estava recebendo esses mesmos resultados no mesmo período de tempo a partir de uma dieta onde a dependência principal estava sobre vegetais crus ralados e frutas e sobre sucos de frutas frescas.
Não há dúvida, como os estudos quantitativos demonstraram, que a percentagem de vitamina C, o fator de prevenção do escorbuto, é superior em certos elementos vegetais do que em quaisquer carnes. Mas é igualmente verdade que o corpo humano precisa apenas de um pouco de vitamina C, de tal forma que, se você tem um pouco de carne fresca em sua dieta todos os dias, e não a cozinhar demais, terá suficiente vitamina C a partir dessa fonte isoladamente para evitar escorbuto. Se você viver exclusivamente de carne você terá a partir dela as vitaminas suficientes, não apenas para prevenir o escorbuto, mas como referido em um artigo anterior, como para prevenir todas as outras doenças carenciais.
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Encerrando o assunto de vitaminas em relação a longas expedições, é melhor enfatizar que recentemente houve tal progresso na extração, concentração e armazenamento de vitamina C que é agora possível se levar com você o suficiente para durar vários anos e com tal qualidade que não irá deteriorar-se ao ponto de se tornar inútil. Mas por transportar carvão para Newcastle? Se você está nos trópicos, escolha uma fruta, ou coma verduras; se você está no mar, arremesse um anzol e pegue um peixe; se você estiver na Antártida, use focas e pinguins; se no Ártico, use ursos polares e focas, renas e os demais das numerosas opções. É verdade, se você fizer uma viagem para o interior no Continente Antártico ou em direção ao centro da Groenlândia, onde não há nenhuma opção, porque a terra está permanentemente coberta de neve, você tem que levar suprimento com você. Nesse caso, você poderia muito bem considerar o suco de limão. É uma das fontes mais portáteis e atualmente é sabido como preparar e embalá-lo de modo que as suas qualidades, mesmo em quantidade, irão durar.


Link do texto original


Observação sobre o problema do suco de limão: é bem provável que o que fato ignorado ainda a essa época, é a oxidação da vitamina C em sucos naturais. Mesmo em suco industrializado, a 5º C , há uma degradação de mais de 50% em apenas quatro dias. Em temperatura ambiente o suco natural tem mais de 75% de sua vitamina C degradada no mesmo prazo. (Aqui o resumo de um estudo desse processo nesse LINK - estudo nacional)

OBS.: As ilustrações não são do artigo original

Dieta alta em gordura sempre vence

Dieta alta em gordura sempre vence

espeto low-carb

Dietas baixas em gorduras e proteínas sempre falham a longo prazo. A curto prazo fornecem resultados satisfatórios, porém apenas em ambientes de estudo controlado. Assim que os participantes dos experimentos clínicos voltam a vida real, o efeito sanfona predomina.
A regra é clara Galvão! Os dados não falham.
Duas variações da dieta DASH foram elaboradas pelos pesquisadores de um estudo publicado na ilustre American Journal of Clinical Nutrition, uma rica em gordura e mais reduzida em carboidratos e outra mais moderada em carboidratos e gordura. A fonte de gordura adicionada a dieta DASH mais alta em gordura foi de laticínios integrais e sem açúcar, ao invés de laticínios desnatados e com açúcar (o padrão moderno recomendado como “saudável”).
Laticínios integrais foram melhores para saúde lipídica e das lipoproteínas (colesterol) do que laticínios desnatados com açúcar (baixos em calorias).
A dieta DASH alta em gordura foi similar a dieta paleo em muitos aspectos, exceto pela porção de grãos integrais adicionada na primeira.
american
título dash
Segue na tabela abaixo, um modelo de dieta DASH tradicional moderado em gordura, isocalórica (2000 calorias) com as respectivas porções de grupos de alimentos diferentes:
  • 7 a 8 porções pequenas de grãos integrais.
  • 4 a 5 pequenas porções de frutas
  • 4 a 5 pequenas porções de vegetais
  • 2 a 3 porções pequenas de laticínios desnatados
  • 2 porções de carnes diversas
  • 4 a 5 porções pequenas de nozes, sementes ou oleaginosas.
  • 2 a 3 porções pequenas de gordura
dash diet
Foi um ensaio clinico, randomizado e cruzado (crossover) com 36 participantes, 3 etapas de 3 semanas de estudo cada. Em uma etapa os sujeitos do estudo consumiram a dieta DASH com menos gordura, em outra a dieta DASH rica em gordura e por fim, uma dieta controle (padrão).
Os cientistas mediram a concentração das partículas das lipoproteínas no sangue (um tipo de exame de colesterol mais específico). Houve aumento no tamanho das partículas de colesterol LDL na dieta mais alta em gordura (coisa boa).
Houve diminuição dos triglicérides e VLDL (colesterol/gordura ruim no sangue) também na DASH alta em gordura com relação as outras 2 dietas.
Também não houve diminuição do colesterol bom (HDL) na DASH alta em gordura como no caso das outras duas dietas. E na dieta DASH tradicional, houve alterações menos importantes no que se diz respeito redução de risco cardíaco dos pacientes.

Resultado e conclusão do estudo:


RESULTADOS:
Trinta e seis participantes completaram todos os 3 períodos dietéticas. A pressão arterial foi reduzida de forma semelhante com a dieta DASH tradicional e as dietas DASH alta em gordura (HF) em comparação com a dieta controle. A dieta DASH alta em gordura (HF) reduziu significativamente os triglicéridos e concentrações de partículas de lipoproteína de muito baixa densidade (VLDL) grande e média  e aumentou o o diâmetro de partículas LDL em comparação com a dieta DASH tradicional. A dieta DASH tradicional, reduziu o colesterol LDL significativamente, o colesterol HDL, apolipoproteína A- I, lipoproteína de densidade intermediária e partículas de LDL grandes e diâmetro de LDL em comparação com a dieta controle .
CONCLUSÕES:
A dieta DASH alta em gordura reduziu a pressão sanguínea, na mesma medida como a dieta DASH normal, mas também reduziu as concentrações de triglicéridos no plasma e de VLDL, sem aumentar significativamente o colesterol LDL. Este estudo foi registrado na clinicaltrials.gov como NCT01404897 .
Fonte original:
dash alta em gordura
Este estudo representa outros experimentos já conduzidos sobre o efeito benéfico das gorduras saturadas e monoinsaturadas na perda de peso a curto e médio prazo. Neste caso especificamente, a gordura saturada dos laticínios.
Pois bem, agora o que que os estudos a longo prazo demonstram sobre as dietas altas em gordura na melhora do peso e da saúde?Vejam este excelente estudo de longa duração publicado no famoso jornal “The New England Jornal of Medicine”

mediterrânea
“MÉTODO
Neste ensaio clínico de 2 anos nós distribuímos aleatoriamente 322 indivíduos moderadamente obesos (idade 52 anos significa, índice de massa corporal 31, 86% dos participantes do sexo masculino) a uma das três dietas:  dieta com baixo teor de gordura com restrição calórica; Mediterrânea com restrição calórica; ou  dieta baixa em carboidratos e sem restrição de calorias.
Em vermelho está a dieta baixa em gordura ao longo de 24 meses (meses na linha horizontal inferior), em amarelo a dieta mediterrânea relativamente alta em gordura, e por fim em azul a dieta low-carb alta em gordura.
aderência low-carb
CONCLUSÕES
A dieta Mediterrânea e dietas baixas em carboidratos são alternativas eficazes com relação a dietas com baixo teor de gorduras. Os efeitos mais favoráveis ​​sobre os lipídios (com a dieta pobre em carboidratos) e sobre o controle da glicemia  (com a dieta mediterrânea) sugerem que as preferências pessoais e considerações metabólicas podem informar o uso INDIVIDUALIZADO de intervenções dietéticas. (Número ClinicalTrials.gov, NCT00160108.)”
A dieta baixa em gordura foi MUITO inferior em um período de dois anos com relação as duas dietas altas em gordura, a Low-carb e a Mediterrânea.”
A dieta mediterrânea foi relativamente alta em gordura. Portanto, qual foi o denominador comum de sucesso a longo prazo mesmo? EXATO, uma dieta alta em gordura e também, uma dieta baixa em carboidratos.
Uma série de estudos apontam na mesma direção…

Sentimentos

  Sentimentos


“A principal razão de um obstáculo é o conflito de sentimentos. Nosso estado de espírito se eleva ou cai a partir de duas coisas: sentimentos e intenções. Para mantermos o alto-astral, precisamos ter mais sentimentos de: (1) bondade;
(2) amorosidade e cooperação; (3) coragem e entusiasmo; (4) consciência de alma; (5) pertencimento. Todos esses tipos de sentimentos são chamados de bons votos. Quando temos bons votos em relação a nós e aos outros, nos sentimos
mais próximos de todos. Como consequência disso, obstáculos e conflitos terminam.”