segunda-feira, 4 de julho de 2016

Aseem Malhotra - o Yudkin moderno

Aseem Malhotra - o Yudkin moderno.

Assim como outro cientista do Reino Unido, John Yudkin, décadas atrás, tentou nos alertar de que o problema não era a gordura, e sim o açúcar, outro especialista daquele país anda agitando o mundo da nutrição nos últimos anos. Seu nome é Aseem Malhotra.



Este cardiologista britânico começou devagar, alguns anos atrás, apenas com a mensagem de que nem todas as gorduras são ruins, e de que o foco deveria recair sobre os carboidratos e, em especial, o açúcar. Mas Malhotra seguiu as evidências. E as evidências, para quem as segue às últimas consequências, levam necessariamente ao desmonte das diretrizes dogmáticas e pseudocientíficas vigentes.




"Consumir MAIS gordura, desde que eliminando o açúcar ao mesmo tempo, pode ajudar a perder peso e ser mais feliz", diz importante cardiologista.

Por Aseem Malhotra, 02/07/2016

O meu plantão noturno tinha sido muito movimentado. Como cardiologista em treinamento no Harefield Hospital, eu havia tratado um fluxo constante de pacientes - entre eles um homem que sofria de doença cardíaca severa e necessitou cirurgia de emergência.

Quando eu visitava os pacientes na manhã seguinte, o carrinho com o café da manhã estava no corredor. E o que estava no menu? cereais açucarados, torrada de pão branco e geleias de todos os tipos.

Quando comecei meu discurso sobre os benefícios de uma dieta saudável, meu paciente me olhou nos olhos antes de dizer “como você espera que eu mude meus hábitos, quando o local para onde eu vim me tratar está servindo o mesmo tipo de lixo que me fez acabar aqui para começo de conversa”?

Isso foi há seis anos, mas eu ainda lembro claramente, porque foi neste momento que eu tive uma espécie de epifania .

Ele tinha razão! O carrinho do hospital, carregado de comida processada, era emblemático do estado lamentável da alimentação em nosso país. 

E a minha noite, transcorrida inserindo stents de emergência (um fino tubo para manter uma artéria aberta), deixava claro o impacto das dietas ruins sobre nossa saúde e felicidade.

Ainda assim, eu não tinha resposta para a pergunta tão pertinente de meu paciente.

Então, onde havíamos errado tanto? Sim, nós havíamos dispensado os antigos demônios dietéticos - sanduíches de bacon e frituras - mas trocamos pelo quê?

Atordoado, eu fui para casa e embarquei em um projeto de pesquisa que me tem absorvido por anos. E o que eu descobri foi revolucionário.

Hoje, eu trabalho para a NHS (National Health Service, o sistema de saúde inglês). Mas eu me encontro na posição peculiar de opor-me às diretrizes nutricionais que os médicos aprendem, e que espera-se que repitam para os pacientes, de que deveríamos reduzir a gordura, para perder peso e manter nossos corações saudáveis, e consumir mais carboidratos.

Este mantra tem sido cegamente defendido e repetido por profissionais de saúde, a despeito de numerosos estudos que confirmam que algumas gorduras são essenciais para nossa sobrevivência, e que consumir mais gorduras - não menos - é, na verdade, bom para você.

São estas orientações erradas que levaram o meu pobre paciente, recuperando-se de uma cirurgia cardíaca séria, a receber lixo processado carregado de açúcar, fornecido justamente pelas pessoas que deveriam ajudá-lo a se recuperar.

E eu creio que são estas mesmas orientações erradas que contribuíram, ao menos em parte, para que carboidratos processados e açúcares tornassem-se uma parte endêmica da dieta britânicas.

E não pense que apenas porque você não é do tipo que fica consumindo lanchinhos fora de hora, você estaria imune a tudo isso.

Qualquer um que coma qualquer coisa que venha em uma embalagem - de pão fatiado até molho de tomate - está em risco. A comida hoje em dia é cheia de açúcar escondido, a ponto de o açúcar estar presente em quase 80% de todos os alimentos processados.

Acrescente-se a isso o fato de que carboidrato simples, tais como farinha branca, batatas e arroz, são metabolizados em açúcar pelo corpo, e você irá perceber que estamos sentados em uma bomba-relógio dietética.

Assim, mesmo que você não sucumba a uma fatia de bolo em seu chá da tarde, uma proporção significativa de nós está consumindo até 40 colheres de chá de açúcar todos os dias, sem nem mesmo dar-se conta disso.

Enquanto isso, a gordura foi completamente demonizada. Nós somos orientados a beber leite desnatado, a tirar a pele crocante do frango, e a usar margarinas processadas, e não manteiga, muito embora estas gorduras naturais (da manteiga) sejam justamente o tipo que nosso corpo necessita para funcionar eficientemente.

Estou convencido que esta dieta alta em açúcar e pobre em gorduras tornou-se a causa dominante de morte no mundo ocidental - e não apenas devido ao fato de que o açúcar é uma das principais causas da epidemia de obesidade, mas também por ser um fator de risco independente para tantas doenças crônicas, que vão desde diabetes tipo 2 à doença cardíaca.

Pois, assim como desencadeia uma sobrecarga de insulina que pode ter impactos metabólicos catastróficos no corpo, o açúcar também parece tornar o colesterol mais inflamatório, e portanto mais danoso as artérias do coração. 

Assim, não espanta que muitos de nós sintamo-nos letárgicos. Minhas próprias pesquisas, que levaram em conta numerosos estudos de todo o mundo, indicaram evidência científica convincente no sentido de cortar o açúcar e favorecer o aumento na ingestão de gordura.

Ainda assim, de forma preocupante, estes estudos são consistentemente desconsiderados ou ignorados pela maior parte dos médicos.

Neste quesito, nós, britânicos, estamos ficando atrás de nossos vizinhos. Até os americanos, que são tão frequentemente criticados por serem lentos no que tange as diretrizes dietéticas e que têm estatísticas de obesidade ainda mais alarmantes do que as nossas, estão à nossa frente no que diz respeito ao açúcar.

Em 2009 a American Heart Association publicou um artigo sublinhando os perigos do açúcar e recomendando um limite máximo diário para indivíduos saudáveis de não mais do que 9 colheres de chá para homens e 6 para mulheres.

Eu supus, então, que um limite superior seria implementado no Reino Unido também. Mas, quando fui verificar, tudo o que pude achar era uma diretriz que aceitava até 22 colheres de chá de açúcar ao dia. Fiquei pasmo!

Então, o que foi que eu fiz, frente a tanta orientação ruim? Exatamente o que estou recomendando que você faça: eu as ignorei, e transformei meus hábitos alimentares com minha própria revolução dietética, uma que vai completamente de encontro a todo o meu treinamento médico.

A dieta que eu sigo é fundamentalmente baixa em carboidratos e alta em gorduras saudáveis. Sendo assim, é diametralmente oposta às diretrizes dietéticas convencionais pelo mundo afora, mas está ganhando interesse e apoio médico e científico.

Trocar para uma dieta de baixo carboidrato e gorduras saudáveis significará comer menos carboidratos e uma porção maior de gordura do que você está acostumado.

Significa cortar o açúcar e os amidos (tais como grãos integrais, cereais, pão, massa, arroz e batatas) e colocar em ênfase em gorduras saudáveis, e ao mesmo tempo manter uma ingestão adequada de proteínas (peixe, carne, ovos e laticínios).

Significa comer alimentos in natura, cozinhar a partir dos mesmos, quando possível, focando-se em qualidade dos alimentos e no aporte nutricional da comida de verdade, ao contrário das versões processadas que tem infiltrado as dietas tipo Atkins, por exemplo.

Em uma típica dieta baseada em carboidratos, estes são convertidos em açúcar no sangue, que seu corpo queima como fonte de energia. Qualquer excesso de açúcar é convertido em gordura (sob o comando do hormônio insulina) e preferencialmente armazenado nesta forma. 

Contudo, se você restringir seus os carboidratos a 50 gramas por dia ou menos, seu corpo não pode mais obter a energia de que necessita a partir dos açúcares, de modo que precisará usar outros combustíveis. E é aí que a gordura entra. 

O corpo pode obter a energia que necessita a partir da gordura armazenada, e da gordura contida nos alimentos.

Uma dieta LCHF ("Low Carb,  Healthy Fat", ou seja, baixo carboidrato e gordura saudável) alivia o corpo da tirania do vício no açúcar - os altos e baixos da glicose e da insulina. isto é uma excelente notícia para sua saúde, e também para sua silhueta. 

Sem açúcar, você verá melhoras na sua pele, humor e concentração, além de uma redução nos desejos e, finalmente, a capacidade de perceber se o que você está sentindo é fome de verdade, ou se é apenas o desejo de comer doces.

Isso torna LCHF uma forma naturalmente simples de perder peso, porque o corpo precisa começar a utilizar gordura, retirando-a das áreas incômodas. 

Eu cortei os carboidratos e radicalmente aumentei meu consumo de gorduras. Em resumo eu comia aquilo que me fazia sentir muito bem.

Isso não era nenhuma dieta rígida ou punitiva. Eu ainda posso me sentar e beber cálice de bom vinho tinto, com um suculento filé feito na manteiga. E adivinhe? Nunca me senti melhor. E minha saúde nunca esteve melhor também. 

Tenho recomendado a todos os meus pacientes cardíacos que sigam este plano alimentar, que você poderá seguir facilmente com o guia de saúde e alimentação de Karen Thomson, que estará disponível na edição do The Daily Mail da semana que vem.

Então, como meus pacientes se saíram? Afinal, ao encorajá-los a aumentar o consumo de gordura, incluindo gorduras saturadas tais como manteiga, queijo e iogurte, eu tenho efetivamente promovido os chamados “venenos”, que lhes disseram que causaram os seus problemas cardíacos.

Felizmente, eu posso lhe dizer que suas vidas foram transformadas, e isso não é um exagero.

Meus pacientes saem do meu consultório com duas instruções simples: corte os carboidratos processados e o açúcar, e coma mais gordura. Eu os oriento a não seguir a dieta de baixa a gordura recomendada pelo governo. 

Eu também digo a eles para evitar todos os alimentos que tenham “baixa gordura” escrito no rótulo, bem como “reduz o seu colesterol” e, ao invés disso, apenas comer comida de verdade, integral.

Para o espanto deles, o impacto na saúde pode ser impressionante. Um homem na faixa dos 50 anos perdeu 20 quilos em seis meses apenas eliminando o açúcar.

Ele não conseguia acreditar que esta mudança tão simples pudesse funcionar, quando as diretrizes dietéticas convencionais tinham falhado para ele durante quase toda a sua vida. Mas funcionou.

E ele não está sozinho. Eu recebi um e-mail, recentemente, de um homem com diabetes tipo 2 que havia lido uma matéria no jornal na qual eu havia falado das virtudes de consumir mais gordura.

Ele disse, horrorizando sua família, que havia começado a comer manteiga novamente, mas que estava cortando os carboidratos. Ele escrevia para agradecer, porque seus níveis de colesterol eram os melhores em muitos anos.

Uma paciente com cerca de 40 anos foi encaminhada para mim com pressão perigosamente alta. Depois de dois meses eliminando o açúcar e os carboidratos refinados, sua pressão sanguínea havia normalizado, e ela já não precisava mais de medicação.

A minha própria vida foi transformada também. Eu costumava ter uma queda por doces. Eu começava o dia com cereal matinal açucarado e suco de frutas; uma garrafa isotônico após academia; panini e uma barra de chocolate para almoço, e depois um grande prato de massa com curry, arroz e pão na janta.

Incrivelmente, dada a quantidade de comida que eu consumia, eu estava sempre com fome. Eu frequentemente comia uma fatia grande de bolo de chocolate para acalmar a fome antes de ir pra cama.

Eu comecei a revolução da minha dieta simplesmente cortando o açúcar, os carboidratos refinados, pão branco, doces, massa e arroz, e sendo mais generoso com o uso do azeite de oliva, nozes e sementes.

Então, 18 meses atrás, eu parei de comer pão completamente, até mesmo integral, e reduzi meu consumo de vegetais ricos em amidos, tais como batatas e leguminosas (“pulses”, isto é, coisas que crescem em vagens, tais como feijão e lentilha).

Arroz feito de couve-flor e espaguete de abobrinha são minhas opções hoje em dia. Minha alimentação lembra mais uma dieta mediterrânea ou grega, que tem evidência científica rica enquanto base para uma boa saúde. Eu aumentei radicalmente meu consumo de gorduras saturadas, porque tenho certeza que elas protegem meu coração, e não o atacam. Afinal, os alimentos mais naturais e nutritivos disponíveis - carne, peixe, ovos, laticínios, nozes, sementes, azeitonas e abacate - todos contêm gorduras saturadas.

Assim, hoje em dia, eu com um omelete de dois ou três ovos, cheio de vegetais, como café da manhã ou almoço, juntamente com um punhado de nozes.

Eu reforço meu café uma porção de manteiga ou com uma colher de sopa de óleo de coco para manter a minha saciedade por mais tempo.

Eu despejo azeite de oliva extra virgem generosamente nas minhas saladas e vegetais. De fato, eu tenho como objetivo consumir pelo menos quatro colheres de sopa de azeite de oliva todos os dias, pois os estudos mostram que isso é excelente para o coração. Ah, sim, eu aprecio um cálice de vinho tinto também.

Embora as pessoas pensem que sucos de frutas e smoothies sejam saudáveis, na verdade eles são apenas um pouco melhores do que açúcar líquido. Assim, ao contrário, eu consumo frutas vermelhas (berries) juntamente com meu café da manhã baseado em ovos e, uma vez por dia, uma maçã de sobremesa após a janta.

Ao fim e ao cabo, eu não poderia me sentir melhor. Antigamente, eu tinha uma barriguinha que insistia em resistir às tentativas de perder peso a despeito de um regime de exercícios diários.

Agora, aos 38 anos, peso 6 quilos a menos do que pesava 5 anos atrás.

A gordura da barriga desapareceu, embora eu me exercite muito menos do que eu costumava me exercitar. Por quê? Bem, quando você come uma dieta baseada em carboidratos, os carboidratos e os açúcares são convertidos em açúcar no sangue. Qualquer excesso de açúcar que não seja usado para energia é convertido em gordura. Entretanto, se você restringir seus carboidratos, seu corpo terá que utilizar outro combustível, e este combustível vem dos estoques de gordura do seu corpo.

Além destes benefícios, a vida é muito mais simples quando você não está distraído por desejos e pelo roncar do estômago que o consumo de açúcar e carboidratos processados gera. De fato, os carboidratos induzem comportamentos alimentares que lembram vício.

Quando sua dieta é predominantemente baseada em carboidratos refinados, a habilidade do corpo de reconhecer que já está abastecido de energia é prejudicada, pois o açúcar interfere com os sinais da saciedade. 

Então, se os ensinamentos nutricionais que eu recebi na faculdade de medicina estivessem corretos, hoje em dia eu deveria ser uma bomba relógio ambulante, com níveis de colesterol elevadíssimos e doença cardíaca avançado. 

Mas eu faço checkups regulares, e nunca estive tão saudável. Eu estou convencido de que minha dieta está protegendo-me contra doença cardíaca, envelhecimento precoce, câncer e demência. 

Novos estudos que dão suporte a minha revolução alimentar são publicados todos os dias. Justamente esta semana, pesquisas importantes da Universidade de Tufts, perto de Boston, nos Estados Unidos, indicaram que mesmo uma colher de sopa cheia de manteiga todos os dias não aumenta o seu risco de doença cardíaca - o que é mais uma prova de que a demonização da gordura por décadas foi um erro.

Desde que você corte o açúcar e os carboidratos refinados, a manteiga pode sem dúvida ser parte de uma dieta saudável. Eu provavelmente consumo sozinho um tablete inteiro de manteiga a cada 4 dias. Não admira que eu tenha encontrado bastante resistência a esta minha posição.

E, a despeito de toda a evidência, os “guias de alimentação saudável” deste país permanecem imutáveis, algo que eu creio ser no mínimo escandaloso.

Então, por que todos os médicos ainda não estão recomendando este plano para seus pacientes?

As rodas da burocracia movem-se de forma muito lenta, e muito das diretrizes dietéticas estabelecidas incorporam o interesse comercial das grandes indústrias alimentícias. Você não pode deixar de observar que comida processada de baixa gordura gera grandes negócios.

Mas o que poderíamos esperar quando os jogos Olímpicos de Londres de 2012, a maior celebração de fitness e saúde neste país em décadas, foi patrocinado pela Coca-Cola e pelo McDonald's?

Enquanto organizações influentes tais como o British Nutrition Foundation tiverem um corpo de membros que lembra o “quem é quem” da indústria do açúcar - Coca-Cola, Kellogg’s, McDonald’s, Nestle e Pepsi entre eles e a British Dietetic Association continue a promover sucos de fruta como parte de uma dieta balanceada, eu receio que ainda vai levar um bom tempo antes que as diretrizes mudem.

Mas elas precisam mudar. Eu ajudei a produzir um documentário, “The Big Fat Fix”, que explica como cortar o açúcar e comer gorduras saudáveis pode aumentar nossa longevidade. Ele deverá estrear nas próximas semanas. Vamos ver se isso ajuda.

Neste meio tempo eu peço a você junte-se à minha revolução alimentar. Você simplesmente se sentirá melhor do que nunca.

TRIBO FORTE #018 – POLÊMICA SOBRE GRÃOS INTEGRAIS: BOM OU RUIM?


TRIBO FORTE #018 – POLÊMICA SOBRE GRÃOS INTEGRAIS: BOM OU RUIM?


Tribo Forte PodcastBem vindo(a) hoje a mais um episódio do podcast oficial da Tribo Forte!
Os podcasts são100% gratuitos e episódios novos saem todas as terças-feiras.
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No Episódio De Hoje:

Hoje focamos em combater uma nova onda de balelas que ganhou força recentemente com a publicação de 3 estudos que defendem o consumo de grãos integrais. Em meio à isso, a verdade precisa ser dita, para o bem da população geral
  • Ter uma dieta alimentar rica em grãos integrais é saudável ou perigoso?
  • Mel para adoçar?
  • Alimento do dia: linhaça, seus benefícios e usos.
  • Receitinha de pão de linhaça de microondas (prático, rápido e delicioso).
  • Quadro “o que você comeu no almoço passado”.
  • E mais…
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sexta-feira, 1 de julho de 2016

DEBATE PALEO EM CANOAS/PORTO ALEGRE

DEBATE PALEO EM PORTO ALEGRE

Outra chance de ouvir os peixes grandes da dieta paleo trocando experiências e conhecimento. Dessa vez, os agraciados foram os moradores de Porto Alegre.

Anote aí: no dia 16/07, o Dr. Souto e as nutris Alice Dalpicolli e Adriane Rodrigues vão se unir para repassar a teoria por trás das dietas ancestrais, falar sobre a prática e ter uma conversa descontraída.

Para saber mais, clique na imagem abaixo. E corra: restam poucas vagas!

Doçura

"Doçura na linguagem e no temperamento é uma grande virtude. As pessoas que conseguem discernir apenas as boas qualidades nos outros possuem grande mérito. Assim como as abelhas coletam a doçura das flores, aqueles que têm um olho para o mérito dos outros e que consideram apenas as boas palavras que ouvem, também se tornam um estoque de doçura como um favo de mel."

O QUE CAUSA DOENÇA CARDÍACA ? PARTE 5

O QUE CAUSA DOENÇA CARDÍACA ? PARTE 5

Artigo traduzido por Décio Gazzoni. O original está aqui.

por Malcolm Kendrick

O primeiro estágio da doença cardiovascular é avaria do endotélio, a camada única de células que reveste as artérias. Após isso, é preciso ver o que acontece. Antes de olhar para o assunto com mais cuidado, gostaria de levá-lo de volta no tempo cerca de 160 anos. Foi quando os primeiros debates científicos sobre o desenvolvimento de placas estavam ocorrendo.

Rudolf Virchow e Karl von Rokitansky foram os proponentes de diferentes hipóteses naquele momento. Agradeço ao Professor Paul Rosch por fornecer informações sobre as ideias de Virchow. Ele forneceu essa descrição em um de seus boletins.

 Rudolph Virchow foi o primeiro a demonstrar a presença de colesterol em ateromas em 1856. Ele descreveu a aterosclerose como “endarterite deformans”. O sufixo “ite” enfatiza que resulta de um processo inflamatório que fere o revestimento interno das artérias, e que os depósitos de colesterol começam a aparecer mais tarde.
 Virchow foi bastante específico a respeito quando ele escreveu: “Não é possível deixar de considerar o processo como tendo surgido de uma irritação dos componentes, estimulando-nos para novas ações formativas; até agora, portanto, ele se encaixa em nossas ideias de inflamação, ou pelo menos dos processos que são praticamente aliados a inflamação.”
 É possível distinguir um estágio de irritação que precede a metamorfose gordurosa, comparável ao estágio de inchaço, turbidez e alargamento que se observa em outros pontos de inflamação. Portanto, não hesito em tomar partido do antigo ponto de vista sobre esta questão, e em admitir que uma inflamação do revestimento interno arterial é o ponto de partida da chamada degeneração ateromatosa e os depósitos de colesterol vieram mais tarde.

Então, mesmo há 160 anos atrás, eminentes professores reconheciam que placas ateroscleróticas começavam com a ‘inflamação do revestimento interno arterial’, ou seja, o endotélio. Os depósitos de colesterol vêm depois. Bem depois. Posto de outra forma, o colesterol não é a causa da placa, o aparecimento de colesterol em uma placa é parte do segundo estágio de desenvolvimento de placas.

Entretanto, ao mesmo tempo que concordava com esta observação, Karl von Rokitansky acreditava em uma hipótese extra.

 Rokitansky propôs que os depósitos observados na camada interna da parede arterial eram derivados principalmente de fibrina e outros elementos do sangue ao invés de serem o resultado de um processo purulento. Subsequentemente, o ateroma resultava de uma degeneração da fibrina e de outras proteínas do sangue, e finalmente estes depósitos se tornavam uma polpa contendo cristais de colesterol e glóbulos gordurosos.


Posto de outra forma, ele acreditava que placas eram, na verdade, coágulos sanguíneos em diferentes estágios de reparo. Ele acreditava nisso porque as placas pareciam exatamente com coágulos sanguíneos, e continham tudo o que é encontrado em coágulos sanguíneos. Especialmente uma grande quantidade de fibrina, que é o componente principal de todos os coágulos sanguíneos. No entanto, Virchow discordou desta ideia por um motivo simples. ‘Como pode um coágulo sanguíneo se formar dentro da parede arterial?’ Ou seja, como pode um coágulo sanguíneo se formar sob o endotélio. Um argumento interessante, e Rokitansky não tinha uma boa resposta. Então ele perdeu a discussão.

Porém, existe uma explicação muito simples para como exatamente um coágulo sanguíneo pode ser encontrado sob o endotélio: porque o endotélio não estava lá quando o coágulo se formou. Ele cresceu em cima do coágulo posteriormente, o que nos leva para Células Progenitoras Endoteliais (CPEs).

Depois da minha última postagem, um leitor fez o seguinte comentário.

 E então... o coágulo, agora preso sob o novo endotélio, se torna placa? Se for verdade, parece ser um processo de cicatrização estupidamente “projetado” :-).

Superficialmente, é um bom argumento. Simplesmente incorporar coágulos na parede arterial, onde uma placa é formada que posteriormente é fatal, não parece ser uma boa ideia. Porém, peço que considere o que aconteceria com um coágulo sanguíneo, que encontra-se dentro da parede arterial, que simplesmente se soltasse e pegasse carona na corrente sanguínea. O que aconteceria?

A resposta é simples: ele entupiria a artéria conforme ela se estreitasse. Isso poderia causar um derrame, ataque cardíaco ou algo do gênero. Exatamente como ocorre com a fibrilação atrial, em que pequenos coágulos que se soltam dos átrios se deslocam até o cérebro e se prendem. O corpo não gosta de coágulos sanguíneos andando soltos pelo sistema arterial.

Então isto não acontece/é impedido de acontecer. Quando o endotélio é avariado, um coágulo se forma sobre este ponto. É verdade que uma certa quantidade/uma boa parte deste coágulo irá ser raspado em pedaços pequenos (não grandes o suficiente para criar um derrame), mas um ‘núcleo’ permanecerá. Isto precisa ser eliminado de alguma forma.

Como fazer isso? Só existe uma maneira possível. Primeiramente, cobri-lo com outra camada de endotélio, e depois atacá-lo, decompô-lo e destruí-lo. E isso é exatamente e precisamente o que o corpo faz.

Depois que um coágulo sanguíneo estabiliza, Células Progenitoras Endoteliais (CPEs), que são produzidas na medula óssea e andam soltas pela corrente sanguínea, são atraídas para o coágulo. Elas grudam nele, e então crescem até se tornarem células endoteliais completamente maduras, formando uma nova camada de endotélio, efetivamente puxando o coágulo para dentro da parede arterial. Então o coágulo é atacado e eliminado. Como?

Um fato crítico a ser mencionado aqui é que CPEs nem sempre se tornam células endoteliais, elas também podem seguir um outro caminho de desenvolvimento. Elas podem se tornar monócitos, que por sua vez se tornam macrófagos. Macrófagos são as células de ‘limpeza’ do sistema imunológico. Elas atacam material estranho e então o engolem. Após isso, elas retornam à corrente sanguínea ou se deslocam diretamente para o sistema linfático, e são então transportadas para glândulas linfáticas, onde elas são desmanteladas e todo o ‘material estranho’ é descartado.

O corpo é extremamente esperto, não é? Após o dano ao endotélio, e a formação de um coágulo, as CPEs não apenas cobrem a área danificada, mas elas também se tornam as próprias células que limpam o coágulo/placa e o eliminam. Então, este não é um processo de cicatrização estupidamente projetado de forma alguma. É absolutamente brilhante. Na verdade, provavelmente está acontecendo dentro das suas artérias neste exato momento.

Os problemas começam a acontecer quando o processo de dano endotelial ocorre rápido demais se comparado à capacidade de limpeza do sistema de cicatrização. Danos endoteliais repetitivos e formação de coágulos no mesmo ponto, repetidamente. Neste momento, ao invés de ter cicatrização de coágulos/placas, acaba ocorrendo crescimento e desenvolvimento de coágulos/placas. Ou como Rokitansky escreveu de forma tão eloquente:

 Subsequentemente, o ateroma resultava de uma degeneração da fibrina e de outras proteínas do sangue, e finalmente estes depósitos se tornavam uma polpa contendo cristais de colesterol e glóbulos gordurosos.
A seguir: formação de coágulos e problemas associados.

Metanálise: manteiga não causa doenças

Metanálise: manteiga não causa doenças


Para os leitores desse blog, nada de novo.

  • Já sabíamos que gordura na dieta não tem relação com doença cardiovascular;
  • Já sabíamos que laticínios com toda a sua gordura (mas NÃO os desnatados) estão associados com diminuição do risco de diabetes;
  • Já sabíamos, baseado no maior ensaio clínico randomizado já feito sobre o assunto, que a substituição de manteiga por óleo de milho (embora reduza o colesterol) AUMENTA a mortalidade cardiovascular.
Mas, como nos alerta o chefe de Medicina Cardiovascular da Cleveland Clinic, as diretrizes nutricionais são uma Zona Livre de Evidências. Assim, é preciso jogar cada vez mais evidências de nível cada vez mais elevado sobre as mesmas, para tentar forçar a quebra do dogma.

Acaba de ser publicada uma nova metanálise sobre a manteiga. A revista Time repercute o assunto:

Novo estudo não encontrou ligação entre comer manteiga e doença cardiovascular

Parece que a manteiga pode, de fato, estar voltando. O condimento cremoso é um alimento que "está no meio-termo" nutricionalmente falando - melhor do que o açúcar, pior do que o azeite de oliva - de acordo com um novo estudo, que se soma a um crescente corpo de pesquisas que mostram que a moda de dieta de baixa gordura estava errada. O novo estudo analisou 9 artigos, que incluíam mais de 600 mil pessoas, e concluiu que consumir manteiga não está ligado com risco aumentado de doença cardíaca, e pode ser até levemente protetor contra o desenvolvimento de diabetes tipo 2. Isto contraria a orientação vigente de evitar a manteiga porque a mesma contém gordura saturada.

Para ser claro, o novo estudo não disse que a manteiga é um alimento especialmente saudável, mas, ao invés disso, diz que "não parece ser nem muito prejudicial e nem muito benéfica", diz o autor do estudo Dr Dariush Mozaffarian, diretor da Friedman School of Nutrition Science and Policy da universidade Tufts em Boston. Isto está de acordo com o novo pensamento de um grupo cada vez maior de cientistas da nutrição, que afirmam que cortar a gordura, mesmo a saturada, está causando muito mais danos do que benefícios.

"Na minha forma de ver, a gordura saturada é neutra de uma forma geral", diz Mozaffarian. "Óleos vegetais, frutas e nozes são mais saudáveis do que manteiga. Mas, por outro lado, carne de peru de baixa gordura, um bagel (espécie de rosca), cereais matinais ou refrigerantes são piores para você do que manteiga". (no que tange aos óleos vegetais, o Dr. Mozaffarian está equivocado: leia aqui)

No estudo, publicado terça-feira na revista PLOS One, os pesquisadores analisaram o consumo de manteiga das pessoas e o seu risco de doenças crônicas, e não encontraram nenhuma ligação com doença cardiovascular. Em 4 dos 9 estudos, as pessoas que comiam manteiga diariamente tiveram um risco 4% menor de desenvolver diabetes tipo 2. Mais pesquisas são necessárias para entender o porquê, mas isto pode ser em parte devido ao fato de que a gordura dos laticínios também contém gorduras monoinsaturadas, que podem melhorar os níveis de açúcar no sangue a sensibilidade à insulina.

Como a revista Time relatou na história de capa de 2014, a gordura tornou-se "o nutriente mais demonizado da dieta americana", a despeito da evidência científica que mostra que ela não traz problemas à saúde, nem causa ganho de peso. "A gordura saturada era considerada a inimiga pública número 1", diz o Dr. David Ludwig, professor de nutrição da escola de saúde pública de Harvard, e autor de Always Hungry. "Nos últimos anos, tem havido pesquisas e comentários em periódicos científicos sugerindo que este foco estava equivocado" (Ludwig não estava envolvido neste mais recente estudo).

De fato, as pesquisas estão-se acumulando no sentido de que a gordura saturada é muito melhor para você do que carboidratos processados, tais como açúcar e pão branco, quetêm sido ligados a diabetes, obesidade e doença cardíaca em muitos estudos. Em abril Mozaffarianpublicou um estudo na revista Circulation que analisou o sangue de 3333 adultos, e descobriu que aspessoas que tinham níveis mais elevados de três subprodutos da gordura dos laticínios tinham um risco 46% menor de desenvolver diabetes do que as pessoas com níveis mais baixos. Outros estudos também demonstraram que laticínios com a gordura podem ser úteis na manutenção do peso, e para outros aspectos da saúde.

Mozaffarian e seus coautores no novo estudo esperam que a sua pesquisa ajude a afastar as discussões da nutrição dos efeitos de nutrientes específicos na saúde, focando-se ao invés disso nos alimentos que as pessoas comem. "Nós comemos queijo, nós comemos manteiga, nós comemos iogurte, nós bebemos leite, nós comemos carne", diz Mozaffarian, e não cálcio, gordura e proteína. Além disso, ele acrescenta, apenas porque uma porção de manteiga e um sanduíche de pastrami ambos possuem gordura saturada, não significa que seus efeitos sobre a saúde sejam os mesmos. É a comida, e não seus componentes, que interessa mais. "Carnes processadas podem ter efeitos diferentes no risco de derrame e doença cardíaca não por causa da gordura saturada, mas por causa do sódio e dos conservantes", diz Mozaffarian. "No fim das contas, tomar as decisões sobre alimentação baseado em uma coisa tal como gordura saturada não é útil". (No que diz respeito ao sal, o Dr. Mozaffarian pode estar equivocado - veja aqui).

Conseguir que as pessoas sigam esse conselho pode ser difícil. Uma pesquisa, de julho de 2014, da Gallup, mostrou que o dobro de americanos diz estar ativamente evitando gordura, comparado com o número de pessoas que ativamente evitam carboidratos. Mas o movimento em direção à compreensão dos benefícios e riscos dos alimentos, ao invés dos seus nutrientes singulares, pode valer muito à pena.

O colesterol ruim é bom para os mais velhos

O colesterol ruim é bom para os mais velhos



Será que o colesterol ruim realmente existiu?

A polêmica sobre as eventuais virtudes de taxas elevadas de colesterol LDL (popularescamente chamado de ruim) estão cada vez mais na mídia. Tem artigos sobre esse tema em vários jornais. Uma questão importante é a relação entre taxas levadas de colesterol LDL e longevidade. Um artigo no jornal ingles The Times pode ser visto nesse LINK. Vejamos um pouco desse debate no artigo a seguir do site People's Pharmacy:

Será que níveis mais elevados do colesterol ruim LDL ajudam pessoas mais velhas a viverem mais tempo?
 Artigo publicado em 16/06/2016
Autor: Joe Graedon

Uma nova análise de pesquisas anteriores sugere que níveis mais elevados do chamado mau colesterol LDL é associado com vida mais longa para as pessoas mais velhas. Não surpreendentemente, muitos cardiologistas estão indignados sobre a ideia de que o colesterol LDL ruim pode ser bom para os idosos. Afinal, eles passaram décadas convencendo as pessoas de que a redução do colesterol LDL é essencial para a saúde do coração. É por isso que as estatinas foram prescritas para dezenas de milhões de pessoas.

Um novo estudo vira de cabeça para baixo a sabedoria convencional :

Os pesquisadores revisaram estudos epidemiológicos em que mau colesterol LDL (LDL-C) tinha sido avaliado como um fator de risco para mortes cardiovasculares ou mortalidade por qualquer motivo (BMJ Open, 12 de junho de 2016). Os sujeitos foram as pessoas com idade superior a 60. No total, foram analisados 19 estudos envolvendo mais de 68.000 participantes.
Em teoria, as pessoas com níveis elevados de mau colesterol LDL deveriam ter tido um maior risco de mortes por ataques cardíacos e derrames. A assim chamada mortalidade por todas as causas também deveria ter sido maior quando o LDL-C fosse elevado.


O que os pesquisadores realmente encontraram:

Contrariamente às expectativas, nenhuma ligação foi encontrada entre o colesterol ruim e mortes prematuras.
Nesta população mais idosa (pessoas com mais de 60), houve uma descoberta surpreendente. Quanto maior o colesterol LDL dos sujeitos, mais tempo eles viveram e menos doença cardíaca eles pareceram experimentar. Isto é exatamente o oposto do que a cardiologia convencional teria previsto. Aqui estão as conclusões nas palavras dos pesquisadores:
"Altas taxas de colesterol LDL (High LDLC) são inversamente associadas com a mortalidade na maioria das pessoas com mais de 60 anos. Este achado é inconsistente com a hipótese do colesterol (ou seja, que o colesterol, especialmente o LDL-C, seja inerentemente aterogênico).
Além disso, nosso estudo fornece a justificativa para uma reavaliação das orientações que recomendam a redução farmacológica do LDLC em idosos como um componente de estratégias de prevenção da doença cardiovascular. "

Isso é um discurso médico de informação para as pessoas mais velhas de que elas não vão se beneficiar por ter um baixo colesterol LDL e que podem de fato viver mais tempo se o seu LDL-C for mais elevado Eles vão em direção do desafio dos pilares dos tratamentos de redução do colesterol, questionando a ideia de que o colesterol LDL causa o entupimento das artérias coronárias. Isto perturbou frontalmente a sabedoria médica convencional e fez a indústria de bilhões de dólares das estatinas recuar.

A repercussão sobre o colesterol ruim LDL foi rápida e furiosa

Os cardiologistas e outros profissionais de saúde foram rápidos em condenar o novo estudo publicado no BMJ Open. Eles adjetivaram a pesquisa como:

"Profundamente falho"
"Conclusões injustificadas"
"Lamentavelmente desequilibrada"
"Defeitos graves e conclusões completamente erradas"

Não é uma história exatamente nova:

Embora muitas pessoas pensam do colesterol como o inimigo, ele é realmente essencial para a saúde. Não só o colesterol serve como um bloco de construção para a vitamina D, estrógeno e testosterona, ele é crucial para os neurônios no cérebro. Sem colesterol nossas células nervosas não irão funcionar.
Os resultados do Programa de Honolulu Coração de 2001:

Um dos estudos mais interessantes que tem sido esquecido ao longo do tempo é o Honolulu Heart Program. Cientistas da University of Hawaii estudaram 3.500 homens japoneses-americanos nascidos entre 1900 e 1919.
Os níveis totais de colesterol dos voluntários foram medidos quando eles estavam na meia-idade e novamente no início dos anos 1990, quando eles eram mais velhos. Os pesquisadores fizeram tabulações sobre os sobreviventes e falecidos. Para sua surpresa, os homens com os níveis mais baixos de colesterol tiveram o maior risco de morrer durante os próximos vários anos. Aqueles com níveis de colesterol entre 188 e 209 tiveram o melhor desempenho. Mesmo os homens com colesterol elevado, mais de 209, tinham menos probabilidade de morrer de qualquer causa do que aqueles com as menores leituras de colesterol. Os investigadores confessaram sua confusão:

"Nós temos sido incapazes de explicar os nossos resultados. Estes dados põem em dúvida a justificação científica para a redução do colesterol para concentrações muito baixas (<4,65 mmol / L) [menos de 180 mg / dL] em pessoas idosas ... "

"Nossos dados entram em acordo com os achados anteriores de um aumento da mortalidade em idosos com baixo colesterol no soro, e mostram que a persistência a longo prazo de baixa concentração de colesterol na verdade aumenta o risco de morte. Assim, quanto mais cedo que os pacientes começam a ter concentrações de colesterol mais baixas, maior o risco de morte."

[Referência: Schatz, I. J., et al. “Cholesterol and All-Cause Mortality in Elderly People from the Honolulu Heart Program: A Cohort Study.” Lancet 2001;358:351-355]

Outra Investigação contrária:
Sem dúvida, a maioria dos médicos que prescrevem estatinas para pessoas com mais de 60 não estão familiarizadas com os dados do Honolulu Heart Program, ou se eles estão, eles têm convenientemente ignorado as conclusões. Há outros estudos, incluindo um relatório com a American Heart Association, em 1999, que sugere que as pessoas com o colesterol total abaixo de 180 tinham duas vezes mais probabilidades de sofrer um acidente vascular cerebral hemorrágico do que aqueles com o colesterol de mais de 230.

A experiência japonesa:

Pesquisadores no Japão há muito tempo observaram que as pessoas com níveis baixos de colesterol são mais suscetíveis a hemorragias cerebrais do que pessoas com níveis mais elevados de colesterol. Um estudo com 12,334 adultos saudáveis com idades entre 40 e 69 foi realizado em 12 áreas rurais do Japão (Journal of Epidemiology, online, 05 de janeiro de 2011). Os indivíduos foram acompanhados por quase 12 anos. As conclusões:

"A redução do colesterol foi relacionada com a elevada taxa de mortalidade, mesmo após a exclusão das mortes devido à doença do fígado da análise. O colesterol alto não foi um fator de risco para mortalidade".

Um ponto básico do site “The People’s Pharmacy”:

A ideia que o baixo colesterol total, ou especialmente de que o colesterol LDL baixo pode estar associada com a morte prematura vem como um choque para a maioria dos profissionais de saúde. Quando tal pesquisa é publicada desaparece quase sem deixar vestígios ou é esquecida ou ignorada porque os dados não estão em conformidade com o paradigma predominante. Esta contrariedade a concepção do colesterol não é o único grande choque para a comunidade de cardiologia.

Gordura saturada:
Ao longo dos últimos meses, os fundamentos básicos de medicina cardiovascular americana foram contestados.
Ao lado do mau colesterol LDL, a gordura saturada era o outro vilão por trás das doenças cardíacas. Mas um estudo publicado no BMJ (13 de abril de 2016)(http://www.bmj.com/content/353/bmj.i1246) descobriu que pessoas que reduziram os níveis de colesterol, consumiam alimentos ricos em óleo vegetal realmente morreram mais rápido do que as pessoas que comem uma dieta padrão contendo gordura saturada. Estes são dados ressuscitados do Experimento Coronariano Minnesota (Minnesota Coronary Experiment). Mais detalhes podem ser encontrados neste link.

Sal:

Como se o colesterol e saturada problema de gordura não foram suficientes problemas, veio um estudo sal grande publicado na revista The Lancet (online 20 demaio de 2016) 

Os autores relataram que uma dieta pobre em sal, como o recomendado pela American Heart Association (menos de 1.500 mg de sódio por dia) foi associada a um aumento do risco de ataques cardíacos, derrames cerebrais, insuficiência cardíaca e morte.
Você pode ouvir o autor fornecer os detalhes da pesquisa neste link.
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Não é de surpreender que a comunidade de cardiologia foi rápida a responder que o estudo foi falho. A crítica não era distinta das observações que estão lendo hoje sobre o novo estudo sugere que as pessoas idosas podem realmente viver mais tempo se os seus níveis de colesterol LDL são mais elevados.

Esperamos que ninguém jamais vá parar de tomar seu medicamento sem primeiro discutir a pesquisa com profissionais de saúde. Ao mesmo tempo, esperamos que os médicos vão manter suas mentes abertas. A medicina muda constantemente à medida que novos dados são revelados. Talvez algumas das velhas crenças terão que mudar à medida que as pesquisas revelam hipóteses e compreensões alternativas.

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Você está frustrado que os fundamentos da sabedoria convencional sobre a saúde do coração estão sendo abaladas?
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