Conheça 6 alimentos ricos em bons lipídios
Marcelo Sendon
8 horas atrás
Conheça alguns bons alimentos e boas fontes de lipídios, saturados e insaturados, e inclua-os em sua dieta.
Os lipídios são macromoléculas indispensáveis para o corpo humano por
representarem funções energéticas, estruturais, de fornecimento de
substratos para a produção de inúmeros compostos (hormônios,
eicosanoides etc), além de auxiliarem na proteção de algumas estruturas
do corpo, como a pele, através do auxílio à impermeabilização, entre
diversas outras funções.
Apesar de toda a complexidade que leva o tema, o mais relevante e
importante a termos e mente é que os lipídios são nutrientes
FUNDAMENTAIS para a manutenção das diversas funções da saúde e também da
performance (no caso de esportistas e/ou atletas) melhores. Neste caso,
ainda mais importante é
saber como, quando e quais tipos de lipídios nós devemos consumir,
uma vez que nem todos os lipídios apresentam-se benéficos ao corpo, e
alguns deles são essencialmente necessários de se consumir de maneira
exógena, obviamente por vias dietéticas. Portanto neste
artigo conheceremos 6 (seis) boas fontes de lipídios, entenderemos o
motivos de elas serem consideradas excelentes fontes e aprenderemos um
pouco mais sobre seus usos, seja via suplementação ou via alimentação
tradicional.
APRENDA: O que são os lipídios e a sua função dentro do nosso organismo.
1- Óleo de peixe (Ômega-3)
Não poderíamos começar por outro lipídio, se não pelo que pode ser considerado
um dos mais importantes lipídio para o corpo humano
e que apresenta funções inigualáveis a quaisquer outros lipídios, seja
levando em consideração a melhora e manutenção da saúde, a busca por
melhor qualidade de vida e até mesmo a performance esportiva.
O ômega-3, de nome ácido alfa-linolênico, é um lipídio essencial ao
corpo que não é produzido pelo corpo e necessita ser consumido pela
dieta. Esse lipídio de cadeia longa vem sendo associado com inúmeras
melhorias ao corpo humano, entre elas, podemos citar:
a diminuição nos níveis de LDL e aumento nos níveis de HDL, proteção anti-inflamatória, pois ele é matéria prima para a produção de eicosanoides anti-inflamatórios,
efeito antioxidante, combatendo radicais livres,
poder
de aumento dos níveis de testosterona, redução do processo de
lipogênese (processo onde se ganha gordura no corpo), aumento da
termogênese, aumento da massa muscular entre outros. Porém, nenhuma
dessas funções é tão importante quanto seu efeito no tecido nervoso,
especialmente no tecido cerebral. Ele possui efeito protetor e auxilia
na constituição do tecido, pois é convertido em outros ácidos graxos
essenciais como o EPA e o DHA, que promovem esses efeitos.
O óleo de peixe, melhor fonte de ômega-3, não deve ser aquecido, por
isso não é indicado que seja utilizado na culinária. Sua melhor forma de
consumo é através de peixes de águas profundas como o salmão, sardinha
norueguesa, entre outros ou por meio de suplementação.
Cerca de 1/3 deve ser a proporção de ômega-3 utilizado na dieta para
uma manutenção de vida saudável. Porém, para performance atlética,
estudos tem evidenciado o uso de dosagens que forneçam pelo menos 1600mg
de EPA ao corpo.
Então lembre-se: Sempre que puder ingerir peixes gordos em sua dieta,
consuma. E não esqueça de suplementar adequadamente com esse importante
lipídio.
APRENDA: Sobre as funções do ômega-3 para o praticante de musculação
2- Gorduras de carnes bovinas
A não muito tempo atrás se considerava que gorduras saturadas ou
mesmo gorduras presentes em carnes animais, especialmente a bovina, eram
ruins para o corpo. A verdade é que seu excesso (excesso MESMO!) pode
ser prejudicial, especialmente ao sistema cardiovascular e no ganho de
gordura corpórea. Entretanto, devemos considerar que mesmo consumos em
boas quantidades NÃO APRESENTAM PROBLEMAS RELACIONADOS A ESSES PONTOS.
Do contrário, as
carnes vermelhas são excelentes fontes de lipídios insaturados e saturados,
que auxiliam na manutenção energética do corpo e também no balanço
nitrogenado positivo do mesmo, são fontes de colesterol, que é a
molécula matéria prima para a produção de hormônios esteroides, como a
testosterona que é indispensável para a vida (é constituinte de
estruturas das membranas celulares, matéria-prima para a produção de
ácidos biliares etc), para a performance esportiva e etc.
Muitas pessoas tem o péssimo hábito de não consumir carne vermelha e
deixam de aproveitar importantes vitaminas lipossolúveis, que são
auxiliadas na absorção com os lipídios da carne.
Por fim, as gorduras saturadas da carne vermelha ainda auxiliam nos processos de conversão do ômega-3 em EPA e DHA.
Obviamente, não há necessidade de comer “aquela picanha gordurosa” ou
aquelas tiras de gordura do contra-filé. As carnes magras já possuem
lipídios em suas fibras e já suprirão adequadamente essas necessidades,
fornecendo uma boa quantidade deste macronutriente e também de
colesterol. É importante lembrar que, quaisquer carnes podem ser magras
ou gordas, a depender de como é retirada a gordura da mesma e do nível
de marmorização que é essencialmente importante ser observado.
APRENDA MAIS SOBRE: A importância da carne vermelha para o praticante de musculação
3- Gordura de coco
A gordura de coco é particularmente uma das melhores fontes do que
chamamos de MCTs ou triglicerídeos de cadeia média. Esses lipídios tem a
característica de conter uma curta cadeia de ácidos graxos ligado à
molécula de glicerol na estrutura do lipídio. Isso confere algumas
particularidade ao lipídio, como fácil digestão, alto grau de gorduras
saturadas, fácil solidificação à temperaturas ambientes, porém fácil
transformação em forma líquida em temperaturas amenas, entre outras
particularidades.
Se tratando do metabolismo, esses lipídios são fontes fáceis de
energia e muito simulam os efeitos dos carboidratos, porém sem alterar
os níveis de insulina no corpo, pois não necessitam da sinalização desse
hormônio para serem utilizados nas células. A gordura de coco com essa
característica, praticamente não pode ser convertida em triacilglicerol e
estocada na camada adiposa, diferente de outros lipídios de cadeia
longa.
Lipídios de cadeia média também são capazes de promover eventos no
corpo que aumentam a termogênese e também estão associados com uma maior
sinalização de lipólise, resultando em uma melhora na perda de gordura.
A gordura de coco pode ser encontrada na sua forma extravirgem (o
famoso “óleo de coco”) e também na própria polpa do coco. Ambas são boas
opções, sendo que a polpa oferece uma quantidade mínima de carboidratos
e uma quantidade de fibras alimentares também. Já a forma do óleo de
coco pode ser considerado mais puro. A depender de quais preparações
você vá fazer, uma ou outra opção pode ser utilizada.
O óleo de coco, por ter uma quantidade praticamente completa de
ácidos graxos saturados, não sofrerá saturação, ou seja, ele pode ser
utilizado para cozinhar sem alterar significativamente suas
propriedades.
DESCUBRA: Todos os benefícios do óleo de coco para o praticante de musculação
4- Óleo de macadâmia
As macadâmias são oleaginosas muito pouco consumidas no Brasil.
Muitas pessoas se quer já provaram esse que também não é um alimento
muito barato (custando em torno de 72-80 reais o quilo em São Paulo).
Ela normalmente é comida seca, com sal ou ao natural (sendo a natural
muito mais saliente seu sabor tipicamente adocicado e que lembra um
pouco o pão).
O óleo de macadâmia também possui sabor tipicamente característico
adocicado e pode ser utilizado em inúmeras preparações, mas como
finalização, a fim de dar um sabor totalmente diferente. Massas, algumas
saladas ou até mesmo risotos podem entrar nessa lista, pois este não
combina muito bem com carnes. O óleo de macadâmia também combina muito
bem com shakes, podendo misturar um pouco de whey protein, caseína ou
albumina, aveia e um pouco dele, ou apenas ele, sem a aveia. Além disso,
blends proteicos pontos também pode ser uma opção para esse consumo.
Opções que combinam muito bem com o óleo de macadâmia são, por exemplo,
vegetais verdes como a abobrinha, o maxixe e algumas massas como o
macarrão tradicional ou mesmo macarrão oriental (bifum) de arroz.
O óleo de macadâmia é altamente puro e é rico em um ácido graxo chamado
ômega-9
que vem da família dos ômegas, inclusive, é um derivado do ômega-3. Ele
não possui as mesmas funções de outros ômegas, mas auxilia grandemente
na sinalização da lipólise, auxilia no controle das proporções de HDL e
LDL e no controle do colesterol. Ainda, esse ácido graxo é extremamente
benéfico para unhas, cabelos, olhos e para a pele, além de ser rico em
vitamina E (Tocoferol) que também é altamente importante para essas
estruturas.
Ele não costuma ser barato, assim como as macadâmias, mas como não
necessita ser consumido a todo instante ou mesmo diariamente, pode ser
facilmente aderido na dieta. Se você não está acostumado com o sabor do
óleo de macadâmia, é recomendado que você vá experimentando aos poucos o
alimento, pois o impacto com o sabor pode ser grande e você pode acabar
deixando de consumi-lo.
5- Abacate
Talvez não exista um melhor vegetal, um melhor cereal, uma melhor
carne, uma melhor leguminosa assim como uma melhor fruta. Mas, se
pudéssemos classificar as frutas mais indicadas hoje em dia, poderíamos
colocar os
abacates nessa lista. Eles são alimentos com
um teor de agrotóxicos menores, são alimentos com uma boa durabilidade e
uma versatilidade extrema, podendo ser utilizado em preparações doces,
salgadas, em vitaminas, smoothies, shakes ou mesmo consumidos puro, com
ou sem adoçante (e alguns costumam pingar umas gotinhas de limão).
Independentemente de todas essas características, o que confere o
abacate aqui em nossa lista são suas propriedades nutricionais,
extremamente benéficas ao corpo. Em primeiro lugar, ele é riquíssimo em
lipídios insaturados, que auxiliam no controle de colesterol entre
outras funções no corpo. Seu teor de carboidratos é bem baixo e os
carboidratos presentes no abacate são a maioria advindos de fibras
alimentares (sim, o abacate é riquíssimo em fibras) e não de sucrose ou
mesmo frutose. Aliás, o abacate é uma das frutas com menor teor de
carboidratos e menor teor de
frutose também, que não tem sido muito elucidado seu consumo nos últimos anos.
Além de todos esses benefícios, o abacate é um alimento rico em
micronutrientes como o potássio, vitaminas antioxidantes como a vitamina
E, que auxilia no combate de radicais livres. Além desses nutrientes, o
abacate é rico em glutationa, um importante antioxidante que participa
de inúmeras reações no corpo e está associado com a prevenção do
estresse oxidativo que pode gerar problemas como câncer, destruição das
células, fadiga, etc.
Procure sempre fazer preparações diferentes com o abacate. Por sua
versatilidade e também praticidade, ele dificilmente é um alimento o
qual enjoamos e seu custo X benefício é relativamente bom, até superior
quando comparado a muitas oleaginosas, por exemplo.
6- Barras de cacau (Chocolate 100% cacau)
Tudo bem, é praticamente muito difícil você adquirir um chocolate
100% cacau nas prateleiras de supermercados. Na realidade, no Brasil
isso é impossível. Porém, existem inúmeras casas de importados e algumas
novas marcas nacionais já estão trabalhando com a importação e/ou
criação desse produto.
O chocolate 100% cacau, na verdade, recebe o nome de “Chocolate” por
denominação, mas ele não é chocolate, pois não recebe leite, não recebe
açúcar e nem outros ingredientes tradicionalmente presentes no chocolate
(mesmo o amargo). Ele é simplesmente a mistura de massa de cacau,
manteiga de cacau e talvez algum saborizante, mas sem açúcares,
adoçantes e afins. Algumas empresas ainda adicionam polidextrose e
outras fibras alimentares, para melhorar ainda mais a resposta glicêmica
na ingestão do produto.
O chocolate 100% cacau leva a vantagem sob o cacau, pois é uma fonte
muito mais reduzida em carboidratos e rica em lipídios. Sendo assim, com
lipídios insaturados, ele possui inúmeros benefícios ao sistema
cardiovascular e suas chances de serem estocados em forma de gordura
corpórea são bem menores.
O cacau é riquíssimo em nutrientes antioxidantes e é um aliado ímpar
na dieta. Além disso, a carga de serotonina causada por ele, pode
auxiliar pessoas que sofrem com problemas como depressão, algum tipo de
mau humor, transtornos de humor em geral ou mesmo alguma falta de ânimo.
A resposta glicêmica do chocolate é muito boa, não estimulando
excessos de insulina e prevenindo a sinalização do acúmulo de gordura
corpórea, problemas de resistência à insulina, entre outros.
As barras 100% cacau costumam ser um pouco caras, mas como você não
irá consumir em excesso, não há problemas em adquirir de vez em quando.
Além disso, existem opções de barras porcionadas, menores, a fim de não
fazê-lo comer mais do que deve.
Conclusão:
Conhecemos alumas boas fontes de lipídios que podem e devem ser
usados por nós, praticantes de musculação. É claro que existem outras
fontes, mas citamos aqui as mais indicadas para o nosso caso. Use, mas
não abuse! Aproveite ao máximo tudo o que este macronutriente pode lhe
proporcionar.
CONHEÇA: As principais funções dos lipídios para os praticantes de musculação
Os lipídios são essencialmente importantes ao corpo por inúmeras
funções. Existem ótimas fontes de lipídios presentes na natureza os
quais podem otimizar sua saúde, performance e auxiliá-lo a manter-se
sempre com um corpo saudável. Portanto, procure conhecer a diversidade
de alimentos e suas devidas propriedades e pouco a pouco ir adicionando
os mesmos na dieta, de acordo com suas preferências, possibilidades e
objetivos.
Boa alimentação!
Artigo escrito por Marcelo Sendon (@marcelosendon)