terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Luz Azul Artificial: Nossa Nova Inimiga

Luz Azul Artificial: Nossa Nova Inimiga

Cada vez mais tem ocorrido nas nossas vidas a exposição à luz azul artificial, causando consequências típicas do século 21. Nossos ancestrais não conheciam e terminavam o seu dia só com a luz solar, o que sincronizava o seu ritmo circadiano.
Com isso, recebiam o espectro completo de luz natural proveniente do sol (e que naturalmente contém alguma luz azul), durante o dia em equilíbrio com a luz vermelha que é necessária e benéfica para o “reset” do seu relógio biológico interno.
É isso que promove sono reparador, desde que você tome dosagem suficiente de exposição à luz solar durante o dia. A sua glândula pineal produz melatonina pelo contraste da exposição à luz solar do dia com a escuridão completa da noite.
Portanto, se você fica no escuro durante o dia, o seu corpo não consegue perceber a diferença de eliminação e com isso haverá comprometimento da produção de melatonina.A nossa saúde depende desse ciclo regular claro-escuro, de preferência começando e terminando na mesma hora.
Porém, atualmente estamos expostos a luzes artificiais (LED, incandescentes e fluorescentes) e a equipamentos eletrônicos como smartphone, tablet, computador, televisão etc. com alta exposição à luz azul, o que causa uma confusão para o nosso corpo, podendo induzir a doenças crônicas.

Associação Médica Americana pede mais atenção à luz LED

No Congresso Anual de 2016 da Associação Médica Americana foram apresentadas novas diretrizes de como se deve reduzir o efeito negativo para a saúde e seus efeitos ambientais pelas luzes de LED, especialmente nas ruas.
Apesar da economia que geram, são lesivas, tanto é que algumas cidades americanas que colocaram muita iluminação de LED nas ruas já estão tendo que reduzir essa quantidade.
Nova York já reduziu 25% das iluminações de LED nas ruas.O motivo é o desconforto e a desabilidade causada pela intensidade da luz, que pode promover diminuição de acuidade visual e segurança, além de suprimir a produção de melatonina à noite, muito mais do que outras formas de iluminação.
E isso, como consequência promove:
  • redução de horas de sono
  • sonolência diurna, com comprometimento das funções
  • obesidade

Como evitar a luz azul artificial

Essa luz azul artificial deve ser evitada sempre, e não somente à noite.Para isso deve-se, após o entardecer, usar óculos que bloqueiam essa luz, com lentes âmbar, ou específicos para bloquear essa luz artificial.
Assim você reduz essa exposição nas ruas, no uso dos equipamentos eletrônicos e no ambiente de casa, o que é benéfico para a sua saúde.

Suplementos para proteger os seus olhos

Esse tipo de luz causa um distanciamento das proteínas na mitocôndria e comprometendo o transporte de elétrons, tornando a mitocôndria das células oftálmicas menos eficientes. Veja alguns suplementos que podem ajudar:
  • Zeaxantina: um antioxidante carotenoide importante para a sua retina.
  • Luteína: antioxidante importante para a sua mácula, que protege a sua visão central contra as luzes LED.
  • Astaxantina: um poderoso antioxidante que penetra a barreira ocular protegendo contra os danos oxidativos causados pelo excesso de luz azul artificial.
Cuide de seus olhos e cuidado com a luz azul. Este é mais um importante caminho para uma supersaúde!
Referências bibliográficas:
  • Chronobiol Int. 2009 Dec;26(8):1602-12
  • Current Biology July 25, 2016
  • Medical News Today July 15, 2016
  • American Medical Association June 14, 2016
  • USA Today. Jan 22, 2017

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Dieta materna influencia reprogramação do DNA do feto

Dieta materna influencia reprogramação do DNA do feto


Pesquisa da USP de Ribeirão Preto confirma ação do ácido fólico sobre função genética da prole para doenças cardiovasculares e diabete.

Toda gestante deve receber alimentação rica em ácido fólico para prevenir anencefalia e diferentes graus de deficiência mental no futuro bebê. Mas de que maneira essa vitamina atua sobre o DNA e define o funcionamento dos genes no organismo em gestação?

A busca de respostas para a questão fez a equipe do Setor de Nutrologia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP estudar a ação do ácido fólico em genes ligados a doenças cardiovasculares e diabetes mellitus tipo 2. E os resultados da pesquisa mostraram que mudanças no fornecimento da vitamina a ratas gestantes e lactantes interferem no controle da expressão gênica das proles para essas doenças.

Os pesquisadores da USP de Ribeirão Preto analisaram material genético de filhotes cujas mães receberam diferentes concentrações de ácido fólico durante a gestação e lactação. E verificaram que os filhotes gestados com dieta deficiente da vitamina apresentaram maior expressão dos genes envolvidos com essas doenças, enquanto os filhotes de mães que receberam suplemento de ácido fólico, ao contrário, apresentaram pouca expressão desses genes.

Esses resultados, conta a geneticista Paula Lumy Takeuchi (foto), responsável pelo estudo, revelam mecanismos moleculares envolvidos no que a pesquisadora chama de “reprogramação epigenética fetal” dos genes ligados a doenças cardiovasculares e diabetes mellitus tipo 2. E, também, mostram a importância do “fornecimento adequado de ácido fólico às mães durante o desenvolvimento embrionário”.

Paula adianta que essa “reprogramação epigenética” corresponde às mudanças observadas nas expressões dos genes estudados. O ácido fólico, vitamina retirada de alimentos, participa ao nível genético de “reações de metilação do DNA”.

A alteração da quantidade de ácido fólico fornecida pela alimentação das mães alterou o “ciclo da metionina, principal aminoácido doador de grupos metil para as reações de metilação do DNA e de proteínas”. Esse é um dos mecanismos pelo qual os genes são “ligados e desligados”; o que vale dizer que eles podem estar ativos ou inativos no organismo.

Da multiplicação celular ao controle genético de doenças

Não se pode fazer uma correlação direta entre os achados experimentais, em ratos de laboratório, com o organismo humano. A pesquisadora lembra que o metabolismo do rato é bem diferente do humano. Mas é fato que as mulheres gestantes devem ingerir ácido fólico, pois ele é importante para a multiplicação celular e, portanto, importante para o desenvolvimento do embrião em formação, principalmente o tubo neural.

É do tubo neural, explica Paula, que se originam o eixo central do sistema nervoso, na cabeça e a coluna vertebral do feto. “Nossos estudos são uma iniciativa de elucidar os mecanismos moleculares que podem influenciar o desenvolvimento de doenças na prole de mães que tiveram sua dieta em ácido fólico alterada durante a gestação e lactação”, conta a pesquisadora.

Como essa vitamina pode alterar a regulação da expressão de genes como os relacionados a essas duas doenças: diabetes mellitus tipo 2 e cardiovasculares? A cientista antecipa que já se suspeitava que a suplementação alimentar com ácido fólico provocaria diminuição da expressão de genes e, ao contrário, a deficiência induziria ao aumento da expressão de genes.

Mas Paula alerta que a “diminuição ou aumento da expressão de genes é uma faca de dois gumes”, pois depende da função que esses genes desempenham no organismo. Ela cita o exemplo do colesterol bom (HDL) e o colesterol ruim (LDL) que estão relacionados a dois genes que estudou.

Se no tratamento com suplementação com ácido fólico ocorre a diminuição da expressão desses dois genes, “poderá haver uma menor síntese do LDL, mas também haverá diminuição da síntese do HDL”. Mas mesmo assim, a geneticista afirma que não podemos atribuir “o desenvolvimento de doenças cardiovasculares e diabetes mellitus tipo 2 apenas à desregulação da expressão de genes; outros fatores externos também contribuem de forma preponderante”.

Alimentação durante gravidez e lactação

O estudo da nutrologia da USP de Ribeirão Preto ainda está em desenvolvimento. A equipe ainda está analisando outros parâmetros relacionados à regulação desses genes que podem desencadear doenças cardiovasculares e diabete. Mas, garante Paula, que “alterações da dieta materna durante os períodos de gestação e lactação podem afetar a expressão de genes na prole”.

Quando o embrião está se desenvolvendo, há dois momentos em que ocorrem “apagões globais do padrão de metilação do DNA”. Nesses momentos, o feto fica suscetível às variações de oferta de substâncias (do grupo metil) para restabelecer o processo padrão de metilação de seu DNA.

Assim, a recomendação do Conselho Federal de Medicina é de que as mulheres usem o ácido fólico antes da concepção e nos três primeiros meses de gravidez. A ingestão diária de 400 microgramas dessa vitamina pode reduzir em até 75% o riso de má formação no tubo neural do feto, o que previne casos de anencefalia, paralisia de membros inferiores, incontinência urinária e intestinal nos bebês. Isso, além de diferentes graus de deficiência mental e de dificuldades de aprendizagem escolar.

Com esse estudo, a pesquisadora e pós-doutoranda Paula Lumy Takeuchi e o professor da FMRP Hélio Vannucchi (foto) receberam o prêmio internacional “2017 Malaspina International Scholar Travel Award” do International Life Sciences Institute (ILSI), fundação mundial sem fins lucrativos que procura colaboração científica entre nutrição, segurança alimentar, toxicologia, avaliação de risco e meio ambiente.  O prêmio foi recebido durante o 2017 ILSI Annual Meeting em La Jolla, Califórnia, EUA, realizado entre 22 e 24 de janeiro.

Fonte: http://ribeirao.usp.br/?p=11381

Abaixo uma tabela de biodisponibilidade de ácido fólico em alguns alimentos (TACO, 2012)

Arsênio no arroz: devemos nos preocupar

Arsênio no arroz: devemos nos preocupar?





 Eu sei que a cada post desses, você fica se perguntando: mas eu vou viver de quê? Até no arroz nosso de cada dia, tem algo para trazer preocupações, no caso o arsênio! Mas como você sabe, apesar de fato ser algo que é importante, o terrorismo nutricional, ao invés de te ajudar, termina te assustando mais.

A questão vem sendo levantada há anos, a partir de técnicas que nos permitiram detectar esses tipos de elementos na nossa comida e como o arroz é um cereal do dia a dia em quase todo o mundo, as agências regulatórias, como ANVISA aqui, FDA nos EUA e EFSA, na Europa, estão de olho nessa questão.

Particularmente na pediatria, é preocupante o uso excessivo do arroz, na forma de alimentos para bebês, como aqueles farináceos com açúcar que as mães insistem em usar em grande quantidade, adicionadas ao leite dos bebês. Claro que dar arroz para comer não será problema nenhum, mas nessa entrevista, você entenderá tudo sobre o problema e como diminuir o seu risco e do seu filho.

O entrevistado é o Dr. Bruno Lemos, pós Doutor em Toxicologia pela USP e o maior especialista no Brasil atualmente sobre o tema. Ele é membro ativo da câmara técnica da ANVISA, que visa fazer regulamentações que suscitem um consumo mais seguro dos alimentos, no caso o arroz.

Já conversei sobre esse assunto antes, mas agora teremos uma entrevista exclusiva e bastante instrutiva com um ultra especialista nessa temática. Aproveitem e não deixem de repassar para os amigos!

Fonte: http://www.pediatradofuturo.com.br/arrozearsenio/

Forma mais comum de cozinhar arroz pode trazer risco à sua saúde

A maneira que você cozinha arroz pode colocar a sua vida – e as das pessoas que comerem o alimento – em risco. Andy Meharg, professor da Universidade de Queens, no Reino Unido, revelou durante um programa da BBC que o arroz pode liberar arsênico se você utilizar um método bem comum de cozimento.

A técnica tradicional consiste em usar a proporção de duas partes de água para uma de arroz e ferver o alimento até que todo o líquido evapore. Após realizar esse processo, Meharg descobriu vestígios de arsênico no arroz, um elemento químico associado a uma série de doenças, como câncer e diabetes.

O arsênico é encontrado naturalmente no solo. Por isso, pequenas quantidades desse produto químico podem infectar o alimento. Geralmente, os níveis tóxicos são tão baixos que não causam preocupação às autoridades.

No caso do arroz, no entanto, a história é diferente. Isso porque, ele é cultivado em plantações inundadas e esse método faz com que o arsênico do solo entre com mais facilidade nos grãos. De acordo com a reportagem da BBC, o arroz tem cerca de 10 a 20 vezes mais arsênico do que outras culturas de cereais.

“A única coisa que posso comparar (com o ato de comer arroz) é fumar”, disse Meharg. “Se você fuma um ou dois cigarros por dia, seus riscos serão muito menores do que os riscos de uma pessoa que fuma 30 ou 40 cigarros diariamente. Depende da dose, quando mais você comer, maior é o risco.”

O que preocupa o professor não é a quantidade de arroz que um adulto come, mas quantas porções do grão que crianças ou bebês ingerem. “Sabemos que os baixos níveis de arsênico podem impactar o desenvolvimento imunológico, o crescimento e o desenvolvimento do QI.”

Em 2014, a agência que regula medicamentos e alimentos nos EUA, a FDA, apresentou uma pesquisa que revelou que os níveis de arsênico em mais de 1.300 amostras de arroz não oferecem risco imediato ou no curto prazo para a saúde. Contudo, o órgão disse que continuaria a investigar se o consumo do grão poderia causar doenças crônicas.

Alternativas

Apesar de a pesquisa ser importante para que mais estudos seja feitos sobre o assunto, isso não significa que você precisa parar de comer arroz. No programa, o professor também apresentou duas outras maneiras de cozinhar o alimento para ficar parcialmente livre do arsênico.

A primeira é usar uma proporção de cinco partes de água para uma parte de arroz e ainda tirar o excesso de água. Com isso, os níveis do produto tóxico foram quase reduzidos pela metade. A segunda é deixar o arroz de molho durante a noite e depois drenar a água. Assim, o grau de toxina é reduzido em 80%.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Chance

  Chance


“Nesse momento, Deus, o pai de todas as almas, está nos dando a chance de sermos elevados.  Então vamos aproveitar essa chance! Vamos nos esforçar em mantê-Lo a frente de nós. Não pense sobre o seu passado ou o passado dos outros. Não se preocupe com o futuro também. Simplesmente empenhe-se em criar seu próprio presente. Procure concentrar seus  esforços em manter os pensamentos elevados e puros. Isso tornará sua visão, atitude e ações elevadas e puras.  Assim sua vida trará nada mais do que benefício para você e para o mundo.”

Dadi Janki

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Dieta low-carb: ONG criada para tratar diabetes

Dieta low-carb: ONG criada para tratar diabetes

DiabetesFreeZoneOs médicos no Arizona começaram a Associação Low Carb de Diabetes “Low Carb Diabetes Association” para superar os crescentes problemas com diabetes tipo 2 – uma grande iniciativa que pode ter um grande impacto:
Os médicos começam ONG sem fins lucrativos para prevenir e tratar a diabetes junto com a Dr. Mona Morstein – fundadora da Low Carb Diabetes Association
Como diabetes tipo 2 é causada por fatores de dieta e estilo de vida além da propensão genética, faz sentido tratá-lo com mudanças positivas na dieta e um estilo de vida. A organização sem fins lucrativos vai educar as pessoas sobre o que eles chamam de “Os Oito Fatores Essenciais”: uma dieta de baixo teor de carboidratos, exercício, sono, gestão do estresse, cura do intestino, desintoxicação, suplementação e medicação.
Pessoalmente, estou mais impressionado com o efeito da dieta de baixo teor de carboidratos, mas certamente há benefícios adicionais com a inclusão de exercícios, sono e gestão do stress. Eu não estou convencido de que a cura do intestino ou desintoxicação têm benefícios comprovados para diabetes tipo 2, e os efeitos da suplementação são mais marginais. Mas tudo isso em conjunto é certeza de ser um pacote poderoso, no entanto, para reverter o diabetes tipo 2.
A única coisa óbvia faltando? Jejum intermitente. Mas você pode simplesmente chamar isso de uma dieta (muito) baixa em carboidratos.

MITO DO SAL – FAZ MAL MESMO?

MITO DO SAL – FAZ MAL MESMO?

Oi pessoal,
Hoje quero tentar mostrar que o medo do sal divulgado abertamente por aí basicamente não tem fundamentação científica e pode ser mais danoso do que imaginamos…
A área da nutrição parece realmente ser uma área livre de evidências, onde novas diretrizes são criadas sem fundação científica sólida e para serem quebradas, aí então, se exige esta fundação…
O paradigma parece estar invertido. E de todas as ciências, esta é a que impacta direta e frequentemente o que temos de mais importante: nossa saúde.
Com vocês, os FATOS!
Peço que por favor me ajude a compartilhar este conhecimento, obrigado!
Abraço,
Rodrigo
REFERÊNCIAS listadas em ordem de aparição:
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23558162 (sal aumenta pressão sanguínea, mas este é um “desfeixo” mole)
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21731062 (meta-análise de ensaios clinicos randomizados de redução de sódio)
http://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736%2897%2909092-2/fulltext
http://www.sandiegouniontribune.com/business/biotech/sdut-salt-sodium-infections-titze-2015mar03-story.html
http://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa1311889 (estudo mostrando que ingestão entre 3g e 6g de sódio parece ser benéfica)
http://ajh.oxfordjournals.org/content/early/2014/03/26/ajh.hpu028.1.full.pdf+html (parecido com a de cima)
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_alimentar_populacao_brasileira_2ed.pdf
http://dab.saude.gov.br/portaldab/ape_promocao_da_saude.php?conteudo=reducao
http://www.sbh.org.br/medica/atualidades-aspectos-nutricionais-na-prevencao-e-controle-da-hipertensao-arterial.asp
http://media.jamanetwork.com/news-item/salt-intake-not-associated-with-mortality-or-risk-of-cardiovascular-disease-heart-failure-in-older-adults/
https://www.eurekalert.org/pub_releases/2014-09/oupu-sio090814.php
https://www.scientificamerican.com/article/its-time-to-end-the-war-on-salt/
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VOCÊ DEVERIA REALMENTE TOMAR ÓLEO DE PEIXE?

VOCÊ DEVERIA REALMENTE TOMAR ÓLEO DE PEIXE?

Artigo traduzido por Hilton Sousa. O original está aqui.

por Chris Kresser



Óleo de peixe pode não ser a cura para tudo o que é frequentemente anunciado, e em alguns casos, pode até causar problemas...

Nota: Este artigo foi originalmente publicado em junho de 2015 e atualizado em janeiro de 2017 para incluir a pesquisa mais recente.

Os suplementos de óleo de peixe continuam a ganhar popularidade, mas a pesquisa que apóia sua eficácia é instável.

Por mais de uma década, o óleo de peixe foi elogiado por médicos, nutricionistas e entusiastas da saúde tanto como sendo um quase cura-tudo. Se você tem doença cardíaca, depressão, diabetes, ou problemas de articulações ou pele, ou você só quer ficar saudável, alguém provavelmente lhe disse para tomar um suplemento de óleo de peixe.

A noção geral era que poderia ajudar, e no mínimo, não poderia machucar. Infelizmente, isso não é necessariamente o caso.


O óleo de peixe pode realmente prevenir doenças cardíacas?


É seguro dizer que os benefícios da suplementação com óleo de peixe para a saúde cardíaca foram significativamente exagerados. Como mencionei anteriormente, estudos inicialmente descobriram que o óleo de peixe era benéfico para doenças cardíacas, particularmente a curto prazo e para prevenção secundária. (1)

Mas a maioria das evidências disponíveis agora sugere que o óleo de peixe não oferece benefícios para prevenir ou melhorar as doenças cardíacas.

Por exemplo, dois ensaios clínicos randomizados (ECRs) publicados em 2010 descobriram que em adultos com doença cardíaca preexistente, a suplementação a longo prazo (três anos ou mais) com óleo de peixe não teve impacto significativo nos desfechos cardiovasculares. (2, 3)

Alguns outros estudos avaliaram o efeito da suplementação a curto prazo com óleo de peixe na fibrilação atrial, e nenhum deles mostrou que o óleo de peixe melhorou os resultados dos pacientes. (4, 5, 6)

Uma meta-análise dos ECRs em 2012, com foco nos parâmetros cardiovasculares, concluiu que o óleo de peixe não reduziu eventos cardiovasculares ou morte e concluiu que as evidências não suportam o uso de suplementos de óleo de peixe para a prevenção secundária de doenças cardíacas. (7)

Três outras meta-análises publicadas desde então chegaram a conclusões semelhantes. (8, 9, 10)

Alguns estudos ainda mostram resultados positivos. Por exemplo, uma meta-análise publicada em 2013 encontrou um efeito protetor do óleo de peixe na prevenção da morte cardíaca, morte súbita e infarto do miocárdio. (11)

Mas há também estudos com resultados negativos. Lá em 2010 eu escrevi um artigo destacando um estudo em que a suplementação de óleo de peixe a longo prazo resultou em um aumento de doenças cardíacas e morte súbita, e outro que encontrou aumento dos níveis de LDL e resistência à insulina em pessoas que tomaram 3g de óleo de peixe por dia. (12, 13)

Em geral, a maioria dos estudos não mostra benefícios nem danos decorrentes da suplementação com óleo de peixe para doenças cardíacas.

O óleo de peixe melhora a síndrome metabólica?


Síndrome metabólica é uma coleção de sintomas e biomarcadores que muitas vezes precede a doença cardíaca ou diabetes.

Do lado positivo, um ECR recentemente publicado descobriu que em adultos com síndrome metabólica, a suplementação com 3g/dia de óleo de peixe juntamente com 10ml/dia de azeite de oliva por 90 dias melhorou vários marcadores de sangue. Isto inclui uma diminuição estatisticamente significativa dos triglicéridos e do colesterol LDL, uma melhoria na relação LDL/HDL e marcadores de estresse oxidativo melhorados. (14)

É interessante notar que o grupo que tomou óleo de peixe e azeite teve melhores resultados do que os grupos do óleo de peixe ou azeite de oliva sozinhos. Uma razão possível para isso é que o azeite é rico em antioxidantes e pode ter protegido contra o maior risco potencial de danos oxidativos de consumir mais gorduras poliinsaturadas.

Do lado negativo, um estudo recente em mulheres com síndrome metabólica descobriu que 3g/dia de óleo de peixe resultou em um aumento no colesterol LDL, glicose no sangue e marcadores de resistência à insulina após 90 dias, embora observassem uma diminuição na pressão arterial. (15)

E em homens com excesso de peso, a suplementação com 5g/dia de óleo de krill (N.T.: um tipo de camarão) e salmão resultou em aumento da resistência à insulina após 8 semanas, em comparação com um grupo de controle que tomou óleo de canola. (16)

Finalmente, um ECR impressionantemente grande envolvendo mais de 12.500 pacientes com diabetes, glicemia em jejum elevada ou tolerância à glicose prejudicada, descobriu que a suplementação com 1g/dia de ômega-3 durante 6 anos não reduziu os defechos da doença em comparação com o placebo. Os desfechos medidos incluíram incidência de eventos cardiovasculares, morte por eventos cardiovasculares e morte por todas as causas. (17)

Como você pode ver, a evidência para suplementação de óleo de peixe para a síndrome metabólica é mista, com alguns estudos mostrando um benefício, outros mostrando dano, e outros ainda não mostrando nenhum efeito significativo de qualquer maneira.

O óleo de peixe pode prevenir o câncer? Ou o óleo de peixe causa câncer?


Muitos de vocês provavelmente recordar manchetes de 2013 proclamando que o óleo de peixe pode aumentar o risco de câncer de próstata (18). Mas, apesar da ampla atenção da mídia captada pelo estudo, é na verdade um dos argumentos mais fracos que foram trazidos contra o óleo de peixe.

Acredite ou não, o estudo em questão realmente não tinha nada a ver com óleo de peixe, ou mesmo suplementos de ômega-3. Os pesquisadores simplesmente mediram níveis circulantes de ácidos graxos ômega-3 em homens com e sem câncer de próstata e descobriram que os homens com câncer de próstata tendiam a ter maiores concentrações de ômega-3 no sangue.

Existem várias razões para isso; Por exemplo, algumas evidências indicam que ter câncer de próstata pode aumentar os níveis sangüíneos de ômega-3, ou que certos polimorfismos genéticos podem aumentar os ômega-3 circulantes e o risco de câncer.

Não demorou muito para que outros pesquisadores publicassem uma série de comentários apontando essas possibilidades, mas os meios de comunicação já haviam tomado a postura do "óleo de peixe causa câncer" e ido em frente com ela.

Mais recentemente, uma meta-análise descobriu que, em geral, o consumo de ômega-3 está associado a uma diminuição do risco de câncer de próstata, mas que a correlação é muito fraca para ser estatisticamente significativa. (19) Em 2016, uma meta-análise maciça olhou 44 estudos e concluiu que uma maior suplementação de ômega-3 não teve efeito sobre a mortalidade por câncer de próstata em geral (20).

Um punhado de análises descobriu que a ingestão de óleo de peixe estava associada a um menor risco de câncer de mama, embora não houvesse distinção entre os suplementos de óleo de peixe e o consumo de peixe. (21, 22) e um ECR publicado em 2012 descobriu que a suplementação com 600 mg de ômega-3 por dia não teve efeito sobre o risco de câncer em homens, mas aumentou o risco de câncer em mulheres. (23)

Tal como acontece com as doenças cardíacas e síndrome metabólica, a pesquisa sobre ômega-3 e suplemento de óleo de peixe sobre o câncer é decididamente mista.

Níveis elevados de produtos oxidativos encontrados em suplementos de óleo de peixe


Recentemente, a atenção tem sido atraída para a qualidade dos suplementos de óleo de peixe que se compra em farmácias. Os ácidos graxos polinsaturados de cadeia longa, incluindo DHA e EPA, são especialmente susceptíveis à oxidação devido a ligações de carbono duplas em múltiplas localizações. Luz, exposição ao oxigênio e calor podem contribuir para a oxidação. Os lipídios oxidados têm sido associados a uma série de problemas de saúde, incluindo toxicidade de órgãos e aterosclerose acelerada – resultados exatamente opostos àqueles normalmente desejados por quem complementa com óleo de peixe. (24)

Em 2016, mostrou-se as três principais marcas de suplementos de óleo de peixe nos Estados Unidos tinham níveis de oxidação até 4 vezes mais elevados do que os níveis "seguros" recomendados. (25) Uma advertência alarmante deste estudo é que os níveis de oxidação foram normalizados por 1g de ômega-3 nos suplementos, ao invés do padrão da indústria de normalizar por 1g de óleo de peixe. Embora isso infle suas três medidas de oxidação, as três marcas de óleo de peixe ainda estavam acima dos níveis aceitáveis ​​de peroxidase e TOTOX, enquanto uma (em vez das duas relatadas no estudo) estava acima dos níveis aceitáveis ​​de anisidina se normalizada por 1g de óleo de peixe.

Como medições de nível de oxidação de suplementos de ômega-3 têm aumentado ao longo dos últimos anos, esta tem sido uma observação comum. Estudos que examinam suplementos de óleo de peixe disponíveis em todo o mundo, incluindo no Canadá, Nova Zelândia e África do Sul, mostram consistentemente que uma grande maioria (até 80%!) excede pelo menos uma das medidas de níveis aceitáveis ​​de oxidação. (26, 24, 27) Também é digno de nota que a maioria destes suplementos contém níveis de DHA e EPA mais baixos do que as os rótulos reivindicam – provavelmente, em parte, devido à oxidação.

Além disso, o estudo mais recente de 2016 demonstrou que os suplementos de ômega-3 vendidos sem receita tinham uma capacidade diminuída de inibir a oxidação do LDL pequeno e denso, em um ambiente laboratorial, em comparação com os ácidos graxos ômega-3 puros. (25) Isso significa que quaisquer benefícios que os suplementos de ômega-3 devessem ter sobre os lipídios do sangue poderia provavelmente ser totalmente neutralizada pelos lipídios oxidados também contidos nas pílulas. No geral, estou muito desconfiado da maioria dos produtos vendidos em balcão de farmácia por aí.

Você deveria tomar óleo de peixe?


Para evitar tornar este artigo tão longo que ninguém iria lê-lo, eu não incluí a pesquisa sobre óleo de peixe e outros aspectos da saúde, incluindo saúde mental, saúde da pele, gravidez e função cognitiva. Como você pode imaginar, a pesquisa sobre a suplementação de óleo de peixe para prevenir ou melhorar essas condições também é um pouco mista, com alguns estudos mostrando benefícios significativos e outros mostrando nenhuma mudança.

Este é certamente um tema importante, e eu estou contente de ver um interesse tão forte sobre ele na comunidade de pesquisa. Vou continuar a seguir a literatura e atualizar minhas recomendações se e quando novas evidências forem descobertas, mas, por enquanto, isso é o que eu sugeriria:

Se você é saudável no geral, a melhor estratégia é consumir cerca de 350 a 450g de peixes gordurosos de água fria peixes (ou marisco) por semana. Quando possível, alimentos não-processados são sempre a minha primeira recomendação. A maioria dos estudos mostra uma relação inversa entre o consumo de peixe e doenças cardíacas e mortalidade – por isso, embora o óleo de peixe possa não protegê-lo, comer peixe parece proteger. Talvez isso seja porque peixes e mariscos contêm muitos outros nutrientes benéficos que o óleo de peixe não tem, incluindo selênio, zinco, ferro e proteína altamente absorvível. (Felizmente, a maioria dos peixes gordurosos de água fria e crustáceos também são pobres em mercúrio e outras toxinas, e mercúrio em peixes pode não ser um problema tão grande como alguns nos têm levado a crer)

Se você não comer peixe (por qualquer motivo), eu sugiro complementar com 1 colher de chá de óleo de fígado de bacalhau rico em vitaminas. Além de cerca de 1,2g de EPA + DHA, ele é rico em formas ativas de vitamina A e vitamina D, ambos difíceis de obter em outras fontes dietéticas. Há muito poucos estudos sugerindo a possibilidade de dano de suplementação com 1 grama ou menos de óleo de peixe por dia, então eu acho que uma colher de chá de óleo de fígado de bacalhau por dia é provável que seja seguro mesmo para aqueles que comem peixe regularmente e benéfico para aqueles que não comem fígado ou outros alimentos que contêm formas ativas de vitamina A. 

Com base nas evidências que analisei neste artigo, eu não recomendaria consumir altas doses de óleo de peixe (ou seja, mais de 3g/dia) a longo prazo. Se você optar por tomar uma dose maior de óleo de peixe, eu sugiro certificar-se de consumir uma abundância de alimentos ricos em antioxidantes, como o azeite, frutas vermelhas, nozes, folhosos verde escuros e chocolate amargo.

Acho que ainda temos muito a aprender sobre esse assunto. Um dos desafios é que os efeitos das gorduras poliinsaturadas na fisiologia geral são complexos e provavelmente dependem de múltiplos fatores que podem variar individualmente, incluindo a oxidação descontrolada, a produção de eicosanóides, os efeitos da membrana celular e a transdução de sinal através de receptores de ácidos graxos especializados (por exemplo, receptores PPAR).

Isso poderia explicar por que vemos uma variação tão grande nos resultados do estudo. É possível que 3g/dia de óleo de peixe seja benéfico para uma pessoa e prejudicial para outra? Absolutamente. Infelizmente, neste ponto é difícil prever essa resposta individual com exatidão e certeza, então eu acho que a abordagem conservadora que sugeri acima é provavelmente a mais sensata até que aprendamos mais.

Raja Yoga

Raja Yoga


“Raja Yoga é um tipo de meditação onde sentamos na consciência da alma, reconhecemos a Alma Suprema e conectamos com Ela através de uma ligação mental de amor. Isso recarrega as baterias da alma e traz poder para a mudança desejada. Através do Raja Yoga, podemos retomar o controle sobre a mente e o poder para agir de acordo com a nossa intenção pura. É dito que aquele que conquista a mente pode governar o mundo.”

Brahma Kumaris

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Olha quando o Dráuzio fala verdade, retiram o vídeo por direitos dos enganadores

Dráuzio Varella: para perder peso, restrinja os carboidratos

O Dr. Dráuzio Varella é uma dessas raras unanimidades: alia sua capacidade de comunicação e sua presença na mídia ao respeito por parte de seus pares.

Recebi hoje, de um paciente, um vídeo curto do Dr. Dráuzio, que sintetiza em pouco mais de 3 minutos a mensagem defendida por este blog. Assistam e divulguem para seus amigos e familiares: